09 de julho de 2026

Quase metade dos moradores sobrevive com R$ 6 por dia

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Estudo localizou 234 pessoas vivendo nas ruas e 198 delas responderam ao questionário do Censo

Quase a metade dos moradores de rua de Piracicaba vive com R$ 6 por dia. As informações foram levantadas pelo Censo Municipal da População em Situação de Rua, divulgado em setembro. O estudo localizou 234 pessoas em situação de rua e 198 delas responderam ao questionário. Em relação à renda, 48,5% responderam que vivem com menos de R$ 6 por dia. O projeto, desenvolvido pela Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social), Crami (Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus Tratos na Infância) e pela Indsat (Indicadores de Satisfação dos Serviços Públicos), apresenta, entre outras informações, dados em relação à quantidade recebida por mês pelas pessoas em situação de rua, a forma como elas gastam este recurso e qual o trabalho que desenvolvem para obter o mínimo de renda para sobrevivência.
Entre os moradores de rua pesquisados, 21,7% recebem até R$100 por mês, 26,8% recebem entre R$101 a R$200 por mês e 17,2% recebe entre R$201 a R$600 por mês.

O diretor da Indsat, Paulo Ricardo Gomes, observa que o quadro de Piracicaba reflete a situação observada no restante do país, onde a miséria aumentou no último ano. Nos dados obtidos pelo Censo em Piracicaba, 42,4% dos moradores de rua não trabalham, 11,1% disseram receber por meio de trabalho informal, 11,1% por trabalhos de reciclagem, 7,1% “olhando carros” e 4,5% trabalhando como “flanelinha”, além de serviços como venda de balas, servente, pedreiro, ambulante, entre outros.

“Considerando o cenário atual do país, onde os preços dos alimentos atingem valores cada vez mais altos, esta parcela da população encontra mais um desafio em relação aos demais, buscando alimentos no lixo, negociando ossos em açougues ou demais práticas desesperadas para saciar a própria fome e/ou de seus familiares”, apontou Gomes.

De acordo com os entrevistados, a maior parcela da população em situação de rua (27,5%) gasta o dinheiro que recebe com comida, seguida de 20,6% com bebida alcoólica, 11,6% com água, refrigerante ou suco, 11,1% com drogas, 10,4% com produtos para higiene e 3,6% com aluguel ou pensão.

ATENDIMENTO

A prefeitura informou que o Centro Pop oferta café da manhã e café da tarde, atende atualmente cerca de 75 pessoas por dia, entre manhã e tarde. Os serviços de acolhimento (65 vagas no total) ofertam café da manhã, almoço e janta.

Já o atendimento médico a essa população é feito por meio dos serviços da Saúde - Consultório na Rua, UBS's e pronto atendimento. A inclusão social faz parte do trabalho técnico desenvolvido na Assistência Social com acolhida, fortalecimento de vínculos comunitários e familiares, acompanhamento psicossocial, atendimento individualizado e em grupo, construção de trajetórias de vida fora das ruas, articulação com outras políticas públicas, em conjunto com a busca ativa e abordagem do Serviço especializado em Abordagem Social.

A prefeitura acrescentou que os dados do censo mostraram que 97,6% dos entrevistados têm acesso a algum serviço ou política pública.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br

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