08 de julho de 2026

Pesquisa aponta obesidade infantil como causa da evasão

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Aumento no IMC em crianças e adolescentes reduz a chance de eles irem para escola em 13%

O aumento no IMC (Índice de Massa Corporal) pode afetar negativamente os índices de frequência escolar no Brasil. Pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Economia Aplicada da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) investigou o impacto do sobrepeso e da obesidade no desempenho e na frequência escolar de crianças e adolescentes no Brasil. Segundo a instituição, os resultados mostram efeitos estatisticamente significativos e negativos para a variável Índice de Massa Corporal e excesso de peso sobre a frequência à escola. Especificamente, um aumento de uma unidade no IMC em crianças e adolescentes reduz a razão de chance de eles irem para a escola em 13,3%. Com relação à variável excesso de peso, esta razão de chance é ainda maior, aproximadamente 35%, aponta a pesquisa.

“É um alerta principalmente para aquelas políticas públicas voltadas à saúde do indivíduo, que são de suma importância para que se possam reduzir o crescimento nos índices de excesso de peso e melhorar a saúde física e mental com ganhos na aprendizagem”, comenta a economista Ida Bojicic Ono, autora do doutorado que teve orientação da professora Ana Lúcia Kassouf, do departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.

A pesquisa utilizou informações de bases de dados das pesquisas do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) abrangendo os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental (nível nacional) e das crianças e adolescentes entre 6 e 19 anos de idade. “Dependemos da disponibilização destes dados em nível nacional principalmente aqueles que tratam das medidas antropométricas (peso e altura) das crianças e adolescentes no Brasil. O fato é que os resultados aqui apontados trazem não somente a informação da necessidade de uma alimentação saudável para as famílias, mas também dentro das escolas”, informa Bojicic.

SAÚDE NA ESCOLA
A Secretaria de Educação de Piracicaba informou que zela pelo cumprimento das determinações do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), que garantem uma alimentação adequada e saudável, de acordo com a faixa etária dos alunos.

A pasta informou que, como medidas protetivas, a alimentação escolar não possui alimentos fonte de carboidratos simples, como doces, chocolates, guloseimas e sobremesas prontas, ou alimentos industrializados ricos em aditivos e gorduras, como embutidos e produtos cárneos (salsicha, nuggets, hambúrguer e outras carnes prontas), também tem como base os alimentos ‘in natura’ e minimamente processados visando a construção do hábito alimentar desde a primeira infância. A Educação informou que a cidade faz parte de programas como, Piracicaba com Saúde, Programa Saúde na Escola e Crescer Saudável, onde as nutricionistas da CPAN (Coordenadoria em Programas de Alimentação e Nutrição) colaboram com a equipe da DAN (Divisão de Alimentação e Nutrição) realizando avaliações antropométricas dos alunos das escolas municipais.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br

LEIA MAIS