08 de julho de 2026

“A melhor maneira de celebrar é com luta pelo direito de ensinar”

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 3 min

Presidente da Apeoesp e deputada estadual, Professora Bebel, destaca os profissionais educadores neste dia

Para a presidenta da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), a deputada estadual Professora Bebel, “a melhor maneira de celebrar o Dia do Professor é persistir na luta e resistir a todas as medidas que visam nos desvalorizar e nos tirar nossa prerrogativa de ensinar como liberdade, dentro dos princípios assegurados pela Constituição Federal. Nós, professores e professoras, somos portadores do mais importante legado da humanidade: o conhecimento. Representamos o fio condutor da cultura, da memória, da continuidade e do desenvolvimento da sociedade humana. Se a educação é a ferramenta do progresso social, são os professores a sua alma e a sua essência”.

Professora licenciada da rede estadual de ensino, Bebel diz que desde criança sonhava em ser professora e que ainda tem lembrança de brincar com meus irmãos, usando um pedaço de madeira com lousa e um pedaço de carvão como giz. “Foi uma escolha natural para mim e é uma profissão que adoro”, diz ela, que é licenciada em Língua Portuguesa, pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), com mestrado em Administração Educacional pela mesma universidade.

A presidenta da Apeoesp, entidade que representa os cerca de 300 mil professores da rede estadual de ensino, incluindo os aposentados, conta que “fiz a opção pela luta sindical e mais tarde pela política como expressão do amor pela educação e pelos educadores, pois é preciso melhorar muito a educação pública no Brasil e no Estado de São Paulo. E sinto saudades, sim, de ministrar aulas, me relacionar com os alunos e acompanhar sua formação e seu crescimento”.

Atualmente, os maiores desafios da categoria são a valorização profissional (os salários dos professores da rede estadual de SP estão entre os mais baixos do Brasil). “Os direitos da carreira (quase 70 mil professores e professoras são temporários, com contratos precários) e o respeito à profissão, pois nossa categoria é vítima constante de autoritarismo e assédio moral”, diz a líder dos professores, ressaltando que os salários dos professores estão congelados em patamares abaixo do piso salarial profissional nacional, que foi uma conquista dos professores brasileiros. “É um absurdo que isso ocorra no Estado mais rico da federação. O atual governador não apenas não reajusta os nossos salários, como quer substituí-los por subsídios, que são devidos apenas a quem ocupa cargos eletivos".

A Professora Bebel também destaca que no caso dos aposentados, o governador João Doria (PSDB) instituiu uma injusta e abusiva cobrança previdenciária adicional. “Os aposentados já contribuíram durante toda a vida e agora tem que pagar mais. Muitos estão com grandes dificuldades para sobreviver. Apresentei na ALESP o PDL 39 para anular esse confisco, mas maioria governista está bloqueando a sua tramitação”, conta. Para piorar a situação da categoria, a líder dos professores diz que o governador de São Paulo enviou para a Assembleia Legislativa o PLC 26, que praticamente acaba com concursos públicos, permite a contratação ilimitada de servidores temporários, facilita a demissão de servidores concursados por meio de provinhas e por aí vai. “Só é possível reverter tudo isso com muita luta e para isso precisamos do apoio da sociedade, pois os ataques aos servidores e aos serviços públicos prejudicam o atendimento justamente à população mais pobre, que mais necessita das políticas públicas em educação, saúde, segurança, assistência social e outras áreas”.

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