08 de julho de 2026

Ermelinda Queiroz é homenageada com estátua

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 3 min

A esposa de Luiz de Queiroz era tida como mulher séria, piedosa, exemplar e de temperamento independente

Uma estátua em tamanho real de Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz, companheira do fundador da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), Luiz Vicente de Souza Queiroz, será inaugurada amanhã (segunda-feira). Ermelinda foi uma precursora do universo feminino, uma pioneira de ideias e à frente de seu tempo. A reprodução mostra a personagem em trajes da época e trazendo em suas mãos um missário, uma referência ao perfil de pessoa benemérita e de fé. A estátua está instalada no Jardim Francês, no entorno do Museu Luiz de Queiroz. O público poderá conferir a obra de segunda à sexta-feira, das 6h às 21h.

A homenagem faz parte das comemorações da 64ª Semana Luiz de Queiroz, que acontece de amanhã (segunda-feira) à sábado (9). Ermelinda Queiroz também dá nome ao Centro de Educação Infantil da escola – outras instituições de ensino do Brasil também já a homenagearam. Agora, batizado de Espaço Cultural Ermelinda Queiroz, a Esalq celebra a esposa de Luiz de Queiroz por meio do Parceiros da Esalq, com apoio da Adealq (associação dos ex-alunos da Esalq), Fealq (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz), Pecege (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas) e República Arado junto com as empresas Koppert e Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo).

A obra é uma concepção artística de Edu Santos. “A opção por uma estátua em tamanho natural vem de modelos que temos encontrado em diversos sítios culturais na Europa e Estados Unidos, além de algumas unidades já no Rio de Janeiro, São Paulo e Santos, uma referência de personalidades que são ainda arquétipos de inspiração para o universo contemporâneo”, conta o artista. O patrono Luiz de Queiroz ganhou sua estátua em outubro de 2018. Também em tamanho natural, a peça está instalada na entrada da Esalq, próxima ao Edifício Central.

ESALQ: UM SONHO
Luiz Vicente de Souza Queiroz tinha um sonho de transformar a sua Fazenda São João da Montanha em um templo do saber. O patrono da Esalq doou as terras com a condição que fosse lá construída uma Escola Agrícola – o que seria, mais tarde, uma das unidades fundadoras da USP (Universidade de São Paulo). Mas coube à Ermelinda Queiroz a realização do desejo maior do seu marido, que compartilhava do mesmo sonho.

Luiz de Queiroz faleceu em junho de 1898 e a inauguração da Esalq aconteceu em 1901. O professor Jacques Marcovitch relata, em seu livro “Pioneiros e Empreendedores”, de 2009, no volume 2, que a imprensa local comparava Ermelinda como uma das três mulheres de destaque de Piracicaba, junto com a americana Martha Watts e Jeanne Renotte, professora e médica belga. A esposa de Luiz de Queiroz era tida como mulher séria, piedosa, exemplar e de temperamento independente.

Marcovitch conta que Ermelinda, quando jovem, viajou com os pais, Cristiano Ottoni e Bárbara de Barros Ottoni, pela Europa, Estados Unidos e Ásia. Após seu casamento, em 1880, com Luiz Vicente de Queiroz, continuou indo ao exterior. Ela também se dedicava aos empreendimentos e participava de reuniões de negócios com o marido. Entre seus legados conjuntos com o esposo estão a usina elétrica, a fábrica de tecidos e a Escola de Agronomia de Piracicaba.

AMIGO DO CASAL
Eugène Davenport, professor norte-americano, convidado por Luiz de Queiroz a vir ao Brasil em 1891, para acompanhar a construção de sua escola, em seu relatório “O Último Viajante do Brasil e os primórdios da criação da Esalq” descreve: “o senhor Queiroz é uma pessoa notável e sua esposa, que fala inglês, e foi educada em Paris”. Naquela oportunidade, o amigo do casal ressaltou a cultura e consciência feminista de Ermelinda Queiroz, uma posição de vanguarda naquele momento histórico.
As conversas registradas em diário pelo professor norte-americano indicam o entusiasmo da esposa pela fundação da escola. De extraordinária autonomia intelectual, tinha como hábito acompanhar o marido em qualquer lugar – o que contrariava os costumes da época em Piracicaba, anotou Davenport.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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