Jovem bailarino conta sua história: pouco dinheiro, mas muito apoio dos pais
Muita pouca coisa mudou quanto ao preconceito na sociedade sobre homens e balé, mas o jovem João Victor de Lima Santos tem uma trajetória para provar possibilidades felizes. Nesta segunda matéria sobre as histórias do estilo de dança e a presença masculina na categoria – sempre cheias de relatos homofóbicos, machistas ou de piadas infames – o bailarino de 17 anos conta como o apoio da família e de amigos foi importante para sair da cidade natal e entrar para a Companhia Estável de Dança de Piracicaba (Cedan), entidade vinculada à Secretaria Municipal da Ação Cultural (Semac).
João Victor nasceu em Dracena, na região de Presidente Prudente, a quase 500km de Piracicaba. O gosto pela dança veio aos oito anos. Criança ainda, soube sobre um concurso de dança e reuniu alguns da sua sala de escola para participar. Os pais deram sinal verde e, no dia marcado, conquistou uma jurada e professora de balé. Com visível potencial, recebeu uma bolsa de estudos. “E assim fui eu, sem saber nada de dança, e, de lá para cá, eu me deslumbrei muito pela dança eu me apaixonei completamente.”
A dificuldade mesmo foi a financeira. Muitas viagens para custear a festivais e competições, inclusive para a Argentina. Águas passadas e superadas, hoje o problema é a pandemia. “Tive várias oportunidades de morar fora do Brasil e não pude ir”, lamenta, por conta do covid-19. O mercado também é outra questão a ser enfrentada. “Falta trabalho e valorização no Brasil, mas não podemos desistir. Meu maior objetivo é me tornar um grande bailarino em uma das maiores companhia de dança e, para isso, eu me esforço muito.”
Integrante da Cedan desde maio deste ano, João veio para Piracicaba, aconselhado por antigos professores de Dracena, em busca de uma companhia melhor e cidade mais desenvolvida. “Aqui é maior e tenho mais oportunidades. Se não fosse minha família, talvez, não estaria aonde eu estou e onde vou chegar.” Na Companhia de Dança, João e outros 19 bailarinos desenvolvem seu trabalho – apenas quatro são homens.
“Está muito complicado ainda quando se trata de balé [e bailarinos]. Para o hip hop e para os musicais acredito que há muito mais aceitação [do profissional homem]. O que melhorou é que, quem assume o que gosta de balé, o faz e não se preocupa mais com comentários estereotipados”, diz a diretora da Cedan e maître de balé, Camilla Pupa, deixando um conselho para quem quiser ingressar na arte: “para um menino, eu diria siga seu coração”.
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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