Plataforma digital de conteúdo cultural é o legado da pandemia para a cidade e a união de atividades e estruturas no Engenho Central é o desafio da administração
Todos os setores da cultura local, e também nacional, foram os primeiros a sentirem o impacto das restrições impostas pela pandemia. Teatro, cinemas, bares e palcos fechados, a criatividade ocupou as redes sociais com shows ao vivo que, em pequena parte, foram capazes de auxiliar os artistas que, ainda, enfrentaram uma mudança de governo e projetos de gestão das políticas públicas de cultura.
Sem dados específicos que mensurem as perdas do setor, o enfrentamento da crise sanitária é apontado por Adolpho Queiroz, publicitário e integrante do grupo fundador do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, criada em 1974, como o maior desafio do início da sua gestão frente a Semac, secretaria que une a Ação Cultural e Turismo numa única pasta. “Os desafios são constantes, mas talvez o maior é criar possibilidades para a cultura em tempos de pandemia, com a necessidade desse isolamento social, atividades em centros culturais, em teatros, em museus, nas ruas, dentre tantos que foram suspensas, o que impactou diretamente nos nossos projetos”, explica.
Adolpho aponta que deste janeiro vem recebendo artistas e fazedores de cultura para o mapeamento das necessidades e a construção de projetos, além dos existentes. Assim, foram definidos 16 projetos, entre eles o mais audacioso, que pretende mostrar à cidade a viabilidade de unir no Engenho Central atividades e estruturas hoje espalhadas pela cidade.
Denominado Engenho da Cultura, a proposta quer ocupar os armazéns com exposições, concertos e eventos com capacidade de atendimento de grandes públicos e com perfil turístico. Levando para lá a espaços como a Pinacoteca Miguel Dutra, a Biblioteca Ricardo Ferraz de Arruda Pinto, somando às estruturas já instaladas e os eventos já realizados no local, como o espetáculo da Paixão de Cristo.
Para buscar um equilíbrio durante a pandemia e suprir as necessidades do setor, o secretário relaciona o resgate do residual da lei Aldir Blanc, o Fundo de Apoio à Cultura e o programa estadual Juntos pela Cultura que, somando à com aportes de emendas parlamentares, trouxeram recursos para os artistas e para a cidade. “Entendemos ainda que há a necessidade de estabelecermos uma Cultura e Economia Criativa do setor”, reconhece.
Como legado de um dos períodos mais complexos para cultura local, o secretário revela que um projeto pioneiro que assimila a tecnologia em benefício da divulgação maciça da produção cultural da cidade. “Estamos trabalhando em uma plataforma digital, que consiste num espaço virtual, dentro de um processo de integração local e nacional”, conta.
Segundo ele, a plataforma vai absorver os recursos tecnológicos, garantindo as conexões locais com os fluxos culturais contemporâneos e centros culturais internacionais, estabelecendo parâmetros para a globalização da cultura. “Será uma plataforma de conteúdo para os artistas alimentarem com peças, shows, dança, pintura, literatura, programas, cursos on-line, onde possam ensinar e aprender”, antecipa.
OSP - A Orquestra Sinfônica de Piracicaba também foi atingida pela pandemia, teve seus espetáculos cancelados e expectativa do Secretário Municipal de Ação Cultural e turismo, Adolpho Queiroz é que, com a manutenção dos protocolos de segurança, os concertos possam voltar a ser realizados. “A expectativa é que com a flexibilização das restrições deste ano, para 2022 possamos ter maior apoio e maior estímulo a OSP e suas manifestações”, projeta.
Ainda para 2021, o secretário afirma que a Orquestra manterá suas apresentações em formas de lives e programações a distância. “Assim que for possível, os teatros da prefeitura estarão de braços abertos a retomarmos a programação”, afirma. Outra expectativa é quanto ao Corredor Metropolitano de Cultura. “Quem sabe nossa orquestra possa frequentar outros espaços de cultura de cidades próximas”, sinaliza.
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