O secretário geral do Partido Liberal Democrata (PLD), do Japão, um dos líderes mais influentes do país, declarou em entrevista coletiva concedida nesta quarta, dia 14, à TV japonesa TBS, que os Jogos Olímpicos de Tóquio podem ser cancelados, caso o país enfrente um novo surto dos casos de covid-19.
"Precisamos cancelar sem hesitação se eles (os Jogos) não forem mais possíveis. Se os contágios se propagarem por causa desse evento esportivo, não sei para que servem as Olimpíadas" - acrescentou o político.
Toshihiro Nikai disse que vê os Jogos Olímpicos como uma oportunidade para fomentar o entusiasmo com o apoio da população japonesa. "Definitivamente, queremos fazer (dos Jogos) um sucesso. Para isso, há vários problemas que precisam ser resolvidos. É importante resolvê-los um por um", comentou Nikai.
A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, interpretou as palavras de Nikai, feitas a 99 dias da cerimônia de abertura, marcada para 23 de julho, como "uma opção". "Eu considero uma mensagem de ânimo forte para conter o coronavírus por todos os meios", disse.
O ministro japonês responsável pela campanha de vacinação citou a possibilidade de celebrar as Olimpíadas sem público, poucas semanas depois do anúncio da proibição de torcedores estrangeiros.
Apesar das garantias do Comitê Organizador, a persistência da pandemia e os repentinos focos do novo coronavírus alteram os preparativos para os Jogos, alimentando a incerteza sobre o que acontecerá até o início do evento esportivo.
Apesar das recentes declarações de líderes políticos, o vice-presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), o australiano John Coates, declarou nesta quarta, dia 14, que a organização não contempla de nenhuma maneira um cancelamento. "Claro que estamos preocupados e a segurança continua sendo nossa prioridade, mas estamos preparados para as piores situações", afirmou.
A capital Tóquio e outras cidades japonesas adotaram novas restrições sanitárias e eventos-teste olímpicos foram adiados. A vacinação no país avança em ritmo lento (1,1 milhão de habitantes recebeu uma dose, em uma população de 126 milhões).
Agência Estado