Apesar de hoje em dia o câncer não ser mais uma sentença de morte para os pacientes, visto os avanços da medicina para o tratamento e diagnóstico, a notícia de que alguém querido está com a doença ainda é envolta em medo. O que pode mudar cada vez mais esse cenário e trazer mais alento psicológico aos envolvidos é a descoberta da doença no início, pois o diagnóstico tardio ainda é um vilão no combate ao câncer, em especial em regiões com menos acesso à saúde.
Nesta quinta-feira (4) celebra-se o Dia Mundial de Combate ao Câncer, que tem por objetivo aumentar a conscientização e a educação das pessoas sobre a doença.
Segundo o oncologista Fernando Medina, diretor do Cecan (Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba), existem duas prevenções contra o câncer, sendo a primária aquelas atitudes que evitam o desenvolvimento da doença, como alimentação saudável e atividades físicas, que “são fundamentais e reduzem a incidência do câncer”, e a secundária o diagnóstico precoce.
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“[O diagnóstico precoce] é determinante para uma série de tumores, principalmente para intestino grosso, colo do útero, câncer de mama, de próstata. São exemplos que mostram que essa queda da mortalidade tem muito a ver com a prevenção secundária”, explica.
A jornalista Andrea Mesquita foi diagnosticada pela primeira vez com câncer de mama aos 31 anos, em 2003 – ainda no início da doença. Ela conta que a descoberta nesse nível foi relevante para proporcionar mais segurança a ela quando passou o choque do diagnóstico. Cinco anos depois, em 2008, foi com a prática frequente de exames preventivos que descobriu que estava mais uma vez com câncer de mama, já em estágio mais avançado, nível 3.
Mas também veio a cura e hoje Andrea se considera uma sobrevivente do câncer. “Tenho muito orgulho disso, quando as pessoas me chamam – eu dou palestras gratuitas aonde for – porque vou contar a minha história. O câncer está aí, existe, não é uma coisa fácil, mas há pessoas que sobrevivem, não necessariamente significa uma sentença de morte. Eu acho que sou um bom exemplo disso”, afirma.
O influenciador Fabio de Miranda Moura, 44, foi diagnosticado com leucemia em novembro de 2019 e passa por tratamentos semestrais. Devido à pandemia, conta que não conseguiu fazer punção da medula “então são feitas algumas medicações para amenizar as dores”, relata.
Moura afirma que a população de modo geral precisa entender o câncer. “Entendam o câncer. Sentimos dores em lugares que nunca imaginávamos sentir, perdemos o filtro em muitas situações, mudamos de humor facilmente, temos uma explosão de sentimentos. Vivenciar alguém com câncer e não entender o câncer nos faz sentir incapazes e o que nos transforma durante o tratamento é por um momento, depois tudo mudará. Paciência e humanidade”, comenta.
Medina explica que existem cerca de 100 tipos de câncer e que a doença começa dentro da célula que “começa a dividir indefinidamente e ela tem a capacidade de entrar num vaso sanguíneo ou linfático e se disseminar pelo corpo e continuar se multiplicando”, explica.
O médico destaca ainda os avanços no tratamento do câncer, no qual as cirurgias extremas hoje são raras e os avanços na radioterapia e na quimioterapia. “Na nossa região nós temos equipamentos maravilhosos e médicos muito bem formados que o índice de sucesso do tratamento é bastante elevado”, avalia.
Andressa Mota