07 de julho de 2026

Como as pessoas decidem o que comer?

Por alex rodrigues |
| Tempo de leitura: 2 min

Um pergunta aparentemente simplória, enganosamente óbvia, motivou a psicóloga, palestrante, escritora e apresentadora do programa Mulheres em Flow, Rosangela Sampaio, a questionar hábitos alimentares que nunca imaginaria que seria possível mudar. “Por que as pessoas comem o que comem?” A resposta para essa pergunta, com certeza, não é simples.

A escolha alimentar, aponta Rosangela é resultado da interação de múltiplos fatores, sejam biológicos, ambientais, sociais ou psicológicos. Para mudar comportamento, neste contexto, é necessário compreender os determinantes que afetam a escolha dos alimentos.

Mudar comportamento envolve muito mais que conhecimento e informação, ela ressalta. “Para propor ações de educação alimentar e nutricional que visem de fato essa mudança, precisamos compreender os diversos fatores relacionados a tudo que uma pessoa ou comunidade conhece e acredita sobre alimentação e nutrição”.

Outra questão muito importante nessa pesquisa de Rosangela é a abordagem multidimensional do alimento. O alimento não se limita à dimensão biológica, ele também representa aspectos culturais, sociais e afetivos dos indivíduos e das comunidades.

“As pessoas tomam decisões sobre os alimentos a todo o momento: Quando comer? O que comer? Com quem comer? Quanto comer? Não importa se estamos falando de uma refeição ou apenas de um lanche, as vontades relacionadas às escolhas alimentares são complexas e influenciadas por muitos fatores. Afinal, como é feita a escolha alimentar?”, questiona a psicóloga.

Rosangela mostra exemplos dos principais determinantes das escolhas alimentares. Segundo ela, uma escolha biológica, isto é, relacionada ao sabor, remete ao prazer de comer. “Fome hedônica”, ela caracteriza.

Mas se a escolha de um alimento tiver a ver com custos, o determinante é a disponibilidade de alimentos, acesso à feira, sacolões, supermercados, entre outros, no entendimento de Rosangela. “Já uma escolha sociocultural está ligado a formas de preparo, tradições e meio social”, aponta.

Existe ainda a escolha psicológica, que varia de acordo com o humor, o que para Rosangela significa “combustível para compulsões levando a comportamentos disfuncionais na relação com alimento”. Outra obviedade sobre alimentação pauta o raciocínio de Rosângela. “Lembre-se de que comemos alimentos! Você já ouviu alguém dizer: ‘Nossa, que delicioso está este zinco’, ou, então, ‘Você prepara maravilhosamente este magnésio com cálcio?’”.

E se você ficou surpreso com essas expressões, é porque já se deu conta de que, no dia a dia, comemos alimentos e não nutrientes. “Portanto, limitar a alimentação à dimensão biológica não faz sentido quando falamos do comportamento alimentar”, ela afirma.

Segundo ela, a formação de hábitos alimentares saudáveis começa muito cedo, já no ambiente intrauterino. A infância, e em especial os primeiros mil dias de vida da criança, período que compreende a gestação e os primeiros dois anos de vida da criança, é uma janela para a formação de hábitos alimentares saudáveis. “Por isso, nunca se esqueça de que os hábitos alimentares saudáveis formados nesse período tendem a permanecer por toda a vida!”

Erick Tedesco
erick.tedesco@jpjornal.com.br

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