08 de julho de 2026

Prefeitura divulga lista que integra o ‘kit covid’ em Piracicaba

Por edicao_jp |
| Tempo de leitura: 2 min

Hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina são os medicamentos que vão compor o “tratamento precoce” para covid-19, anunciado pelo prefeito Luciano Almeida (DEM) na última sexta-feira (15), que a rede pública vai fornecer na cidade. De acordo com a SMS (Secretaria Municipal de Saúde), os medicamentos serão disponibilizados e “podem ou não ser recomendados pelos médicos” dependendo também do consentimento do paciente.


Médicos lembram que não existem medicamentos com eficácia científica comprovada contra a covid-19. A SMS informou que está em fase final sobre a quantidade necessária para a aquisição dos medicamentos.


Tufi Chalita, infectologista da Unimed Piracicaba, lembra que o médico francês Didier Raoult, maior defensor do uso da cloroquina em casos de covid-19, admitiu que o medicamento não reduz mortes.

O infectologista cita ainda autoridades na saúde, como o ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Gonzalo Vecina Neto, a bióloga popularizadora da ciência Natália Pasternak e a infectologista Raquel Silveira Bello, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, que reafirmam que esses medicamentos não se mostraram eficazes conta a covid-19.

LEIA MAIS:


“Colocar para o paciente decidir, assumindo a responsabilidade, estamos invertendo totalmente as posições. O médico deveria dizer ‘esses remédios não têm comprovação científica’, a senhora quer tomar?”, comenta.


O cardiologista e intensivista da Santa Casa Sérgio Pacheco lembra que os medicamentos divulgados pela SMS não têm aval das sociedades médicas como medida preventiva ou tratamento precoce, por não haver estudos em humanos que comprovem a eficiência, “embora na prática haja vários médicos prescritores e pacientes que desejam fazer o uso”.


Ele explica que os estudos em laboratório que reduziram a carga viral utilizaram doses superiores às toleradas por seres humanos. “Em humanos, até esta data, ainda não temos números que sustentem o uso rotineiro”, diz.


Pacheco lembra que nada substitui o distanciamento social, uso de máscara a medidas de higiene. “A vacina será a melhor forma de evitar infecções graves pelo coronavírus pelo que se sabe até este momento”.

Andressa Mota