09 de julho de 2026

Prefeito anuncia que cidade vai oferecer ‘tratamento precoce’ para covid-19

Por edicao_jp |
| Tempo de leitura: 3 min

Em transmissão ao vivo após a reclassificação da cidade para a fase laranja do Plano São Paulo, o prefeito Luciano Almeida (DEM) anunciou que, a partir da próxima semana, a cidade vai oferecer ‘tratamento precoce’ para covid-19. Segundo o chefe do Executivo, o objetivo é ‘diminuir os casos graves’. Infectologista alerta para falta de comprovação científica desse tipo de intervenção.


Os medicamentos que vão compor o tratamento anunciado ainda não foram divulgados pelo Executivo. “A prefeitura está fazendo o detalhamento técnico dessa decisão para que ela seja colocada em prática o mais rápido possível. Estão sendo finalizados os detalhes para que isso aconteça sem haver nenhum problema”, informou por meio da assessoria de imprensa.


Em seu pronunciamento, Luciano Almeida pontua que “ninguém é obrigado a tomar. Eles só serão fornecidos mediante prescrição médica”. Em seguida, coloca que “acreditamos que é uma forma de dar uma alternativa a mais para a sociedade e, quem sabe, se estiverem corretos, até um dia que haja protocolo oficial sobre isso, a gente diminua a incidência de piora do quadro das pessoas que contraiam a covid-19”, diz.

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A reportagem do Jornal de Piracicaba procurou médicos de três hospitais da cidade: Santa Casa, Unimed e dos Fornecedores de Cana O infectologista Arnaldo Gouveia Júnior, do HFC, afirmou, de acordo com a assessoria de imprensa, que, “sem informações exatas sobre quais os medicamentos serão utilizados nesse tratamento precoce, não consegue pontuar”.


Para o infectologista Tufi Chalita, da Unimed, “não existe tratamento precoce”. O médico enfatiza que, em estudos com humanos, os medicamentos geralmente utilizados, como hidroxicloroquina, cloroquina, invermectina e annita nitazoxanida, não apresentaram comprovações científicas que comprovem a eficácia no tratamento da covid-19. Sendo assim, afirma, não são recomendados pela Associação Médica de Infectologia e que o tratamento da covid-19 deve ser feito via sintomas, tratando, por exemplo, a diarreia, mal-estar, tosse, febre.


“Isso infelizmente está nesse ramo de politização. Não adianta. Hidroxicloroquina, cloroquina, invermectina, annita nitazoxanida, uso de vitamina C, D, zinco, todas essas coisas não estão no campo da ciência, está no campo de politização, desespero”, afirma. “E mais do que isso, essas drogas, sem exceção, não estão isentas de efeitos colaterais. A hidroxicloroquina, por exemplo, tem muita relação com desenvolvimento de arritmia nas pessoas”, alerta.


O cardiologista e intensivista Sérgio Pacheco, da Santa Casa, por sua vez, pontua que as sociedades médicas, por não haver comprovação científica robusta, não recomendam esses medicamentos. Porém, afirma que, em sua análise, há “mais médicos a favor do tratamento precoce do que contra e, entre os pacientes, a gente tem tranquilamente 95% dos pacientes querendo fazer”, afirma.


Ele enfatiza que os pacientes precisam estar cientes dos prós e contras do uso dos medicamentos e que é imprescindível avaliação individualizada. “Pacientes não podem simplesmente pegar o pacotinho por resultado positivo. Isso não existe, é ilegal. Tem que ter uma avaliação médica para que veja a indicação e, principalmente, a contraindicação do tratamento, porque alguns tratamentos podem, sim, trazer risco para determinadas pessoas”, lembra.

Pacheco lembra ainda que a vacina, quando disponível, "seria naturalmente superior a tudo isso" e "nada nesse momento substitui as medidas de mitigação: distanciamento, uso de máscara e a lavagem frequente das mãos e uso de álcool em gel", enfatiza.

Andressa Mota