Dos 550 candidatos à Câmara de Piracicaba, 17 declararam patrimônio superior a R$ 1 milhão à Justiça Eleitoral. Nesse seleto grupo, do qual participam cinco vereadores em busca da reeleição, estão empresários, médicos, advogados, assim como um ator e uma pedagoga. Juntos, eles somam quase R$ 30 milhões em bens, o equivalente a 30,2% do total de todos os candidatos ao Legislativo.
Nesta última semana, o Jornal de Piracicaba analisou a declaração dos 550 candidatos à Câmara, criando uma lista do mais rico, cujo patrimônio é de R$ 3,6 milhões, aos 209 mais pobres, que declararam não possuir bem algum.
Ao analisar os dados disponíveis no Sistema de Divulgação de Candidaturas, no site Divulgacand, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a reportagem decidiu desconsiderar a declaração da candidata Daniela Molina (DEM), por entender ter havido um erro de digitação. Nessa prestação de contas, uma casa no Nova Piracicaba foi declarada por R$ 238 milhões, o que automaticamente a tornaria a mais rica de todos.
É importante ressaltar que o valor declarado de muitos imóveis não representa, necessariamente, o valor atual desses bens. Em geral, os candidatos declaram quanto foi pago no momento da compra, procedimento permitido pela Justiça Eleitoral. Por isso, não é de se estranhar que um apartamento em um bairro valorizado ou uma grande área de terra, por exemplo, possam estar declarados por um valor mais baixo do que imóveis menores em regiões mais humildes.
MAIS POBRES
Além dos 209 candidatos que declararam não possuir nenhum imóvel, veículo ou qualquer valor em conta bancária, outros 30 informaram possuir até R$ 10 mil em bens. Na maioria desses casos, o candidato declarou a posse de apenas um veículo usado. Dentre os que possuem menos de R$ 10 mil, a declaração que mais chamou atenção foi a do locutor Rubinho Cavalcante (PL), que fez questão de registrar seu saldo de R$ 4 em uma caderneta de poupança. Outros 93 candidatos afirmaram ter menos de R$ 100 mil e 79 declararam bens com valor total inferior a R$ 200 mil. Mais 29 candidatos afirmaram possuir até R$ 300 mil em bens. Entre os que mais se aproximam dos milionários, apenas quatro declararam patrimônio superior a R$ 900 mil.
A lista dos 17 candidatos mais ricos que disputam uma vaga na Câmara é encabeçada pelo médico Paulo Serra (Cidadania), que já ocupa uma cadeira no Legislativo. Na segunda posição está a candidata Waleria Melcher (PSDB), cujos bens somam R$ 2,45 milhões. Casada com um famoso cantor sertanejo, ela tem como slogan “Piracicaba xiki nu urtimo”.
Quinto colocado entre os mais ricos, o médico Ronaldo Moschini (Cidadania) é o segundo vereador com maior patrimônio declarado, no valor total de R$ 2,1 milhões. Também figuram nessa lista os vereadores Osvaldo Schiavolin, o Tozão (PSDB), que declarou bens no valor R$ 1,6 milhão; Laércio Trevisan Jr. (PL), R$ 1,2 milhão; e Ary Pedroso Jr. (SD), cujos bens somam R$ 1,008 milhão. Em recente postagem nas redes sociais, Tozão afirmou: “De nada vale a riqueza nos bolsos quando há pobreza no coração”.
A lista completa dos 17 milionários que se candidataram ao cargo de vereador em Piracicaba pode ser conferida nesta página.
Mais rico entre os candidatos a vereador, o cardiologista Paulo Serra (Cidadania) possui cerca de um décimo do total de bens do candidato mais rico à Prefeitura de Piracicaba, o empresário Luciano Almeida (DEM). O democrata declarou patrimônio de R$ 34,09 milhões à Justiça Eleitoral, valor que supera a soma dos 17 candidatos mais ricos à Câmara.
Além dele, outros quatro prefeituráveis afirmaram ter mais de R$ 1 milhão em bens. A segunda candidata ao Executivo com maior patrimônio declarado é a advogada Érica Gorga (Patriota), cuja relação de bens soma mais de R$ 3,6 milhões. O empresário Zé Pedro (PL) também figura entre os milionários que disputam o cargo de prefeito, com mais de R$ 2,6 milhões em bens.
A engenheira agrônoma Nancy Thame, que hoje também ocupa uma cadeira na Câmara de Vereadores, declarou possuir R$ 2,54 milhões à Justiça Eleitoral. Em último na lista dos candidatos milionários, o atual prefeito, Barjas Negri, registrou patrimônio total de R$ 1,09 milhão.
Também concorrem à prefeitura os candidatos Carlito (PTC), Carolina Angelelli (PDT), Coronel Adriana (PSL), Edvaldo Brito (Avante), Mário Neto (PSB) e Professor Adelino (PT). Os bens declarados desses sete candidatos variam de zero, no caso do Edvaldo Brito (Avante), a R$ 648 mil, no caso de Mário Neto (PSB).
Apesar de todos os candidatos serem obrigados a respeitar o limite dos gastos em campanha, que no caso das candidaturas a vereador em Piracicaba é de R$ 59 mil, os mais ricos têm mais chances de se eleger. Essa é a análise do cientista político e professor universitário Pedro Rocha Lemos. Segundo ele, candidatos com patrimônio elevado geralmente estão inseridos num projeto mais amplo, dentro de algum partido forte.
“No caso dos candidatos a vereador, aquele que tem mais poder aquisitivo normalmente representa um segmento, não está sozinho.
RICOS
Os mais ricos não entram numa eleição apenas por uma questão pessoal, eles representam alguma coisa”, afirma. Ele destaca, no entanto, que a eleição depende do contexto de cada município e que mesmo os que não são ricos podem se eleger se tiverem um trabalho social reconhecido na cidade, assim como aderência e popularidade. Mas o pesquisador faz mais uma ressalva, “com menos recursos para a candidatura, os mais pobres estarão sempre em desvantagem.”
Ana Carolina Leal
Especial para o JP
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