O cartunista Joaquín Salvador Lavado, mundialmente conhecido como Quino, morreu ontem, aos 88 anos de idade. Quino alcançou a fama por seus quadrinhos revolucionários e por sua personagem mais conhecida, a pequena e muito contestadora Mafalda. Segundo a imprensa argentina, o artista sofreu um acidente vascular cerebral nos últimos dias.
Malfalda é a tirinha latino-americana mais vendida do planeta, traduzida para mais de 30 idiomas. Em Piracicaba, o legado de Quino se faz presente e forte e seu falecimento foi comentado por diversos cartunistas.
Erasmo Spadotto, cartunista e diretor do Cedhu (Centro Nacional de Documentação, Pesquisa e Divulgação de Humor Gráfico de Piracicaba) lamenta a morte de Quino. “A arte gráfica mundial fica assim como a Mafalda e seus outros personagens órfãos, e também nós, público que crescemos com todas as histórias desse grande cartunista. Não só seus desenhos mas o seu roteiro era fantástico. Falava de convivência e comportamento de cada uma, da personalidade das pessoas”.
Já Camilo Riani, artista plástico, caricaturista e pesquisador, não hesitou em chamá-lo de gênio. “Tem um legado incomparável e o coloca, certamente, como um dos nomes mais importantes do cartum e do pensamento político. Foi meu ídolo e de colegas cartunistas, de diversas gerações, e é fácil entender o fascínio que ele exercia sobre nós: a capacidade de síntese e surpresa mesmo nos assuntos mais óbvios”.
O caricaturista Érico San Juan também falou da passagem de um “ícone do humor mundial”. “Ultrapassou as barreiras da Argentina e deixou a Mafalda como herança aos cartunistas, um personagem que se tornou um símbolo dos anos 70. Influenciou-me no sentido de me mostrar que um desenhista de humor deve sustentar, bancar sua verve de contestação ao mundo”.
Erick Tedesco