Crianças não são consideradas grupo de risco para contágio da covid-19 e, exatamente pela maioria delas serem assintomáticas, o retorno às aulas deve ser um movimento meticulosamente pensado e em sintonia com os pais ou responsáveis. Esta é a análise do médico pediatra piracicabano Paulo Falanghe, diretor técnico do CdVac (Centro de Vacinas de Piracicaba).
“A criança é a única classe da sociedade que fez a quarentena corretamente. Teve aulas online, de suas casas, foi privada de brincar fora do lar e foi protegida pela família de locais de potencial para a transmissão do vírus. Devolvê-la ao ambiente escolar requerer um preparo especial, com todos envolvidos”, destaca o pediatra.
No contexto do Brasil e de Piracicaba, existem prós e contras para o retorno, avalia Falanghe. “Tem o lado bom, o mental, o convívio com professores e amigos, sair de casa, é benéfico e necessário. O que é questionável é se as escolas estão preparadas e se as próprias crianças estão preparadas para uma nova escola, sem abraços e de máscaras”.
O médico ainda dá luz a outras dúvidas, como a necessidade de pais em, o quanto antes, poder ter os filhos na escola por causa de demandas do trabalho. “Os pais têm que sair, trabalhar, às vezes deixam filhos com outras pessoas e nem sempre estão à vontade com isso, enquanto outros dependem da merenda”.
E em um eventual retorno, independente de quando, Falanghe ressalta que toda criança deve voltar à escola com o calendário vacinal em dia. “Sempre vale lembrar que as doenças que diminuíram, erradicadas, podem voltar”.
Erick Tedesco