09 de julho de 2026

Resilientes, avós comemoram seu dia com saudade dos abraços

Por edicao_jp |
| Tempo de leitura: 4 min

Sinônimos de carinho, acolhimento e dedicação, momento exige que avós exercitem superação e paciência

Neste domingo, 26 de julho, dia dedicado aos avós, faltarão presenças, abraços e beijos. Em contrapartida, sobrarão lembranças, saudade e a esperança de que o isolamento imposto pela pandemia da covid-19 logo será coisa do passado.
Em tempos de distanciamento, os idosos são a população mais afetada, por encabeçar a lista dos grupos de risco para a doença que, em Piracicaba, até a última sexta-feira, vitimou 172 pessoas.
Para quem é sinônimo de carinho, acolhimento e dedicação, o momento é também para provar e exercitar a capacidade de superação e paciência. Sim, ninguém melhor que os avós para ser um belo exemplo nesse inesperado episódio na vida dos netos.
Serenidade é uma das palavras que define a aposentada Sebastiana de Souza Loureiro Previatti. Com recém-comemorados 90 anos, ela tem visto a família pela janela de seu apartamento e tela do celular.
No dia 16 de junho, quando comemorou idade nova, a matriarca recebeu as homenagens dos filhos pela sacada do apartamento. A festa teve direito a decoração com bexigas, bolo e velinha. Dias depois, na casa da filha, foi possível assoprar as velas dos 90 anos na companhia da filha, do genro e da neta. “Estávamos só nós, a minha filha manda me buscar todo final de semana para almoçar com eles”, contou.
A festa intimista – e não menos valiosa - ficou aquém da comemoração planejada desde o ano passado para as nove décadas de Dona Sebastiana. Ela conta que o local já estava reservado, assim como a roupa que usaria na ocasião e a dupla sertaneja contratada. “Mas fico feliz porque meu aniversário não passou em branco”, se refere à festa da sacada.


Neste dia dedicado aos avós, a aposentada disse ser difícil a distância dos oito netos e três bisnetos. “Estou sentindo muito a falta de todos pois amo muito todos eles, mas sou grata a Deus pela família maravilhosa que ele me deu”, avalia.
Dois andares separam o casal Maria do Carmo, 73, e Francisco Mesquita, 75, da neta caçula Luísa, de 5 anos de idade. Os avós têm ainda Juliana, 30, e Isabela, de 26 anos, casadas e que moram em outras cidades.
Conscientes da necessidade de distanciamento avô e avó têm matado as saudades por meio de conversas pelo celular e lives. “Mas não é a mesma coisa”, afirma o avô.
Ele conta que a família é acostumada a se reunir em almoços e a falta de contato tem sido a principal dificuldade enfrentada. “O isolamento tem nos afetado de forma desagradável por não poder ver ninguém, o mais chato de tudo é estar distante das pessoas, principalmente das netas”, admite Maria do Carmo. “Além disso tem a preocupação com cada filho e neto que têm as atividades deles e precisam trabalhar. A gente fica preocupo e tudo isso é motivo para ficarmos isolados”, acrescenta Francisco.

Idoso requer atenção e carinho, mesmo no distanciamento

É preciso cuidado com as saúdes física e psicológica do idoso em tempos de isolamento (Pixabay)

“Viver o hoje, se manter calmo e saudável para retomar as atividades quando tudo isso passar”. A frase, que pode ser encarada como mantra para enfrentar a rotina do distanciamento e isolamento causados pela covid-19, é da médica gestora da medicina preventiva da Unimed Piracicaba, Luciane Furlan Theodoro, ao se referir aos cuidados com os idosos nesse período de pandemia.
Às famílias, ela aconselha atenção e, apesar da distância física, reforça a necessidade de se mostrar presente, se preocupando e mantendo a atenção a eles.
A médica destaca que o cuidado já é necessário pelo fato de os idosos serem grupo de risco, por isso, a preocupação não deve ser apenas com relação à covid-19.
“É preciso entender que, apesar da covid-19, as outras doenças continuam matando, como câncer, hipertensão, doenças renais, e por isso, os idosos devem continuar sendo cuidados”, observou.
Aos idosos saudáveis que enfrentam o isolamento, Luciane aconselha criar uma rotina saudável, com atividades prazerosas. “Arrumar o álbum de fotografias da família, ou aprender coisas novas, os idosos têm de se mobilizar, fazer coisas que antes não fazia por falta de tempo”, aconselhou.
O acesso à internet e as plataformas digitais são outros fatores que contribuem positivamente para os idosos. “Muitos podem se comunicar ou assistir a tutoriais para aprendizado”, afirmou.
A médica chama a atenção para os cuidados com as saúdes física e psicológica do idoso em tempos de isolamento. Para isso, ela sugere que as famílias observem a qualidade das informações que chegam até ele. “É preciso evitar a exposição desnecessária ao sensacionalismo, essas informações têm impacto na saúde emocional”, observou.

VALORIZAÇÃO

Luciane reforça a necessidade de valorizar o idoso, dar a atenção devida, respeito e carinho. “Eles são fundamentais, detêm conhecimento e alguns são ainda responsáveis pelo sustento da família”, afirmou a médica.
“Eles precisam saber e perceber que, mesmo à distância, estão sendo acompanhados pela família”, pontuou.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br