Em maio, há cerca de dois meses após o Governo de São Paulo decretar estado de calamidade e ter início a quarentena, um grupo de jovens entendeu que era preciso promover ações de combate à covid-19, isto é, atuar no gargalo deixado pelo poder público. Eles saíram pela área central de Piracicaba para distribuir máscaras e álcool em gel às pessoas em situação de rua. Recentemente, a iniciativa cresceu: também instalaram galões com água junto a um frasco de sabão, disponíveis a princípio para higiene pessoal em locais de grande circulação de pessoas, mas eles agora querem fazer o mesmo em bairros periféricos.
O grupo, que quer anonimato e pede ênfase de que não estão ligados a questões políticas ou ideológicas, já instalou seis destes kits ‘anti-covid-19’ pela cidade: um na praça José Bonifácio, dois na avenida Armando Salles, um na praça do TCI (Terminal Central de Integração), um em frente a Biblioteca Municipal e um na praça Antônio de Pádua Dutra (paralelo à Armando Salles e de frente a do terminal). A inspiração é pelo projeto Resistência Popular Alagoas.
“Conseguimos apoio de alguns comerciantes, que doaram material como galões e arames, e então fomos às ruas para instalar”, conta um dos integrantes. Ao todo, ele conta que atuam em uma rede de apoio com cerca de 11 pessoas.
A população foi receptiva à iniciativa, revela. “Entendem que é algo que beneficia a todos, mas se for preciso retirar, retiramos”, ele afirma, em caso de uma eventual crítica da Prefeitura de Piracicaba, o que não deve acontecer frente ao necessário esforço comunitário para reduzir a disseminação da doença na cidade.
O jovem afirma que faz constantemente a manutenção de água e sabão nos kits, e já percebeu que, em alguns pontos, galões foram completados com água antes mesmo dele voltar. “É o que queremos, que as pessoas se sintam parte da ação, tanto que escrevemos no galão: se estiver vazio, encha; se acabar o sabão, troque”.
Já existe, inclusive, um planejamento de onde instalar os próximos kits, como no Cecap, no entorno do Terminal Vila Sônia e na comunidade Renascer. Para tanto, o grupo aceita contribuição voluntária da população, que pode entrar em contato por meio da rede social instagram.com/aac.previnase. “Não tem prazo para terminar a ação, quanto mais pudermos contribuir no combate à covid-19, estaremos atuantes”, ele ressalta.
Erick Tedesco