09 de julho de 2026

Mães apontam esgotamento de método de ensino na pandemia

Por edicao_jp |
| Tempo de leitura: 3 min

O ineditismo do modus operandi de viver em sociedade, imposto pela pandemia da covid-19, trouxe inquietações e desconfortos como resultado também de mudanças bruscas no cotidiano. Para mães com filhos em idade escolar, as transformações podem ser mais penosas de acordo com a suficiência do amparo da escola e professores no que diz respeito ao estudo a distância, isto é, que aumenta a dependência delas no estudo formal das crianças. Na rede municipal, sem contato permanente com os educadores e uma dinâmica de ensino, longe da sala de aula e inclusive dos colegas, o relato de mães é de que o método emergencial durante a pandemia está esgotado.

Aldelize Nascimento, mãe de um menino no Jardim I, reclama da dificuldade para falar com uma professora da rede. “A escola criou um grupo de Whatsapp para as mães, mas é fechado, se as mães quiserem propor alguma ação, ou mesmo tirar alguma dúvida, tem que ligar na Escola e agendar um horário com a professora que estiver de plantão”.

Outra crítica de Aldelize é quanto à demora da Secretaria Municipal de Educação em apresentar um planejamento para a volta às aulas presenciais, caso o município, como deve acontecer, optar por seguir o plano do Governo do Estado de São Paulo. “O Estado está fazendo um planejamento , o município não passa nada. Penso que não seria nem o caso de voltar ou não em setembro, pois muitos pais estão com medo das crianças contraírem o vírus, mas penso que é preciso um planejamento no sentido de acolher esses alunos de forma mais humana”, ela ressalta.

Sem o auxílio de um centro de mídias como a rede estadual de ensino, o município optou por entregar quinzenalmente uma lista de exercícios aos pais, que a devem retirar na unidade onde o filho estuda. Para a mãe Vanessa Trevisan, com filho no Fundamental I, o método é insuficiente. “Não nos é passado nada em relação a atividades. Desde que começou a pandemia, as crianças ficaram sem entender e se questionam todos os dias o tempo em casa. E ficam literalmente sem atividades e conexão com a turma e professores. Deveriam adaptar algo que envolvesse mais eles”, ela opina.

O drama de Luciana Elizabete Lopes Costa é ainda maior. Ela relata que o trabalho, assim como o do marido, é em tempo integral, e necessitam da creche para deixar a filha. Minha carga horária não diminuiu e fica difícil acompanhar os estudos dela. Ela não tem nem material para pintar, ou seja, não tem desenvolvimento, ao menos da unidade em que ela está matriculada”.

Heloize Milano é mães de duas crianças, uma na rede municipal e outra no estadual. No estadual tem a plataforma digital e o centro de mídias, ela menciona, mas para o filho na rede estadual, Heloize disse que o município não enviou atividades. “Recebi algumas orientações sobre brincadeiras infantis, mas nada direcionado. Considero um ano perdido para ele”.

Sobre as reclamações das mães, a secretaria municipal disse que “tendo em vista que nem todos os alunos têm acesso às tecnologias para o ensino remoto, que as famílias não possuem necessariamente formação pedagógica e nem sempre estão presentes ou disponíveis para o acompanhamento das atividades, até o momento não estão sendo abordados conteúdos novos e sim, atividades que os alunos possam realizar com certa autonomia”.

Erick Tedesco