08 de julho de 2026

Piracicaba é uma das piores em isolamento e registra 13 mortes

Por edicao_jp |
| Tempo de leitura: 6 min

Piracicaba está entre as 20 cidades paulistas com pior índice de isolamento social. No domingo, o percentual de adesão do município era 49%, considerado um dos piores pelo Governo do Estado. O governador João Doria (PSDB) condicionou ontem, a reabertura do comércio – em uma possível flexibilização – no aumento da taxa de isolamento, medida defendida como necessária para prevenção do contágio do novo coronavírus.

“Todas as cidades precisam melhorar esse índice para possibilidade de flexibilização, sem isso as cidades estão excluídas”, afirmou durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes.

O monitoramento do Estado é feito a partir das informações das operadoras de celulares quanto ao deslocamento das pessoas.

De acordo com o engenheiro eletricista Thiago Matheus Martins de Moraes, as antenas emitem ondas em alta frequência e o aparelho celular capta e retorna esse sinal. O processo utiliza as antenas próximas para ser realizado.

“Uma vez que o sinal vai e volta em duas ou mais antenas, pelo tempo de ida e volta, sendo conhecida frequência do sinal, é possível estimar a localização dos aparelhos”, explicou acrescentando que todas as empresas de telefonia utilizam o método para analisar as áreas de maior demanda e instalar ou posicionar as antenas.

Segundo ele, a medida é simples e segura, uma vez que é tecnicamente impossível ‘roubar’dados de todos os celulares.

LOJAS FECHADAS

Uma ação da Guarda Civil de Piracicaba, realizada nesta segunda-feira flagrada pela reportagem do Jornal de Piracicaba, fechou estabelecimentos comerciais no Centro da cidade, considerados não essenciais. A prefeitura foi questionada sobre a quantidade de estabelecimentos e se houve autuação, porém, não houve retorno da administração até o fechamento desta matéria.

A Secretaria Municipal de Saúde informou ontem que subiu para 13 o número de mortes por coronavírus na cidade, que registra 152 casos positivos, 169 suspeitos e 63 recuperados.

JOVENS
O número de jovens e adultos que morreram por coronavírus cresceu 18 vezes em um mês. Conforme balanço divulgado neste domingo pela Secretaria de Saúde do Estado, entre as 2.627 vítimas fatais de Covid-19, 693 tinham menos de 60 anos. Em 4 de abril, eram apenas 37, de um total de 260 mortes.

Nesse período, a proporção de óbitos entre jovens saltou de 14% para 26%.  À medida que isso se amplificou, houve consequente redução entre idosos (de 85% para 74%).

As faixas superiores a 60 anos continuam concentrando a maior parte da mortalidade, mas o crescimento foi de oito vezes ente elas - totalizam 1.034 óbitos do total registrado ontem – há um mês, eram 222 idosos. 
Nos hospitais paulistas havia ontem 9,1 mil pacientes internados, somando 3.534 em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 5.589 em enfermaria.

A taxa de ocupação dos leitos de UTI reservados para atendimento a Covid-19 no sábado era de 67% no Estado de São Paulo e 87,1% na Grande São Paulo.

INTERIOR
A média de mortes confirmadas diariamente no Estado de São Paulo cresceu 280% no último mês. Ontem, São Paulo registrava 2.654 óbitos, com uma média de 118 por dia na última semana – foram 829 novas vítimas desde o dia 27 de abril.

Um mês atrás, a média era de 31 mortes por dia, conforme apontam os dados em intervalo de tempo similar: houve 219 óbitos entre 27 de março e 4 de abril.

O Estado tem 32.187 casos, no total. As comparações também indicam que, na última semana, houve 10.491 novas confirmações, o que equivale a uma média diária de quase 1.498 novos casos. Em 4 de abril, eram 4.048 casos, com uma média de 403 por dia na semana que antecedeu esta data.

Entre os mais de 32 mil infectados até o momento, 12.114 residem no interior, litoral e Grande São Paulo. Nessas regiões, houve 971 óbitos (36,5%).

No momento, há um ou mais óbitos em 153 cidades e casos de Covid-19 já foram confirmados em residentes de 334 municípios.
 
IDOSOS E RISCOS
Entre as vítimas fatais, estão 1.538 homens e 1.089 mulheres. Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais, totalizando 73,6% das mortes.

Observando faixas etárias subdividas a cada dez anos, nota-se que a mortalidade é maior entre 70 e 79 anos (664 do total), seguida por 60-69 anos (579) e 80-89 (511). Também faleceram 180 pessoas com mais de 90 anos. Fora desse grupo de idosos, há também alta mortalidade entre pessoas de 50 a 59 anos (353 do total), seguida pelas faixas de 40 a 49 (206), 30 a 39 (100), 20 a 29 (25) e 10 a 19 (8), e um com menos de dez anos.

Os principais fatores de risco associados à mortalidade são cardiopatia (60,1% dos óbitos), diabetes mellitus (43,6%), doença renal (11,6%), doença neurológica (11,3%) e pneumopatia (10,7%). Outros fatores identificados são imunodepressão, obesidade, asma e doenças hematológica e hepática.

Esses fatores de risco foram identificados em risco: 2.129 pessoas que faleceram por COVID-19  (81%) do total. 

REFLEXO NO COMÉRCIO
O Dia das Mães acontece, neste ano, em meio à quarentena, com grande parte dos estabelecimentos comerciais de portas fechadas. A segunda melhor data para o comércio, atrás apenas do Natal, costuma promover alavancagem das vendas no mês de maio.

No entanto, diante do atual cenário, a Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo) prevê queda de 31% nas vendas da temporada.

Só na semana do Dia das Mães, deve haver prejuízo de R$ 3,7 bilhões nas cidades que compõem a Região de Campinas, na qual Piracicaba está inserida pela entidade. Para o mês, a baixa tende a atingir R$ 19,3 bilhões, menor patamar já observado.

De acordo com a federação, para calcular o recuo de vendas na data comemorativa, foi contabilizado o desempenho de cinco segmentos que, habitualmente, registram altas nesse período: lojas de móveis e decoração (-92%); eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento (-82%); lojas de vestuário e calçados (-72%); supermercados (-14%); farmácias e perfumarias (-3%).

A estimativa da Fecomercio considera as vendas que serão realizadas por delivery, internet e outros meios alternativos. Ainda assim, todos os setores sofrerão baixa em maio: lojas de móveis e decoração (-91%); concessionárias de veículos (-78%); autopeças e acessórios (-63%); eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento (-63%); lojas de vestuário e calçados (-62%); materiais de construção (-15%); outras atividades (-15%); supermercados (-13%); e farmácias e perfumarias (-12%).

Para a Entidade, esse período de crise terá reflexos econômicos profundos, que vão dificultar a retomada das atividades em padrões adequados no médio prazo. Por outro lado, o nível de consumo da população reflete não apenas o lucro das empresas, mas também mede a qualidade de vida e bem-estar dos consumidores.

CENÁRIO NACIONAL
O Brasil chegou a 105.222 mil pessoas infectadas pelo novo coronavírus (covid-19) nesta segunda-feira (4). Nas últimas 24 horas foram adicionadas às estatísticas mais 4.075 casos, aumento de 4% em relação a ontem, quando foram registradas 101.147 mil pessoas nessa condição.

Ontem foi o terceiro dia consecutivo de estatísticas de queda de novos casos em 24 horas, após o recorde de 7.218, registrado na última quinta-feira.

Conforme o balanço dessa segunda, o número de pessoas recuperadas da doença chegou a 45.815, o equivalente a 43,5% do total de casos. Estão em acompanhamento 52.119 (49,5%) dos pacientes confirmados e 1.360 mortes continuam em investigação.

Segundo atualização do Ministério da Saúde divulgada ontem, o total de mortes subiu para 7.288. Com 263 novos óbitos, a marca representou um aumento de 4% em relação a ontem.

No domingo foram contabilizados 7.025 falecimentos e com a inclusão de 275 óbitos.  A letalidade permaneceu em 6,9%, a mesma de ontem.

São Paulo se mantém como epicentro da pandemia no país, concentrando o maior número de falecimentos (2.654). O estado é seguido pelo Rio de Janeiro (1.065), Pernambuco (691), Ceará (491) e Amazonas (425).

Beto Silva