A pandemia do novo coronavírus tem gerado a necessidade dos seres humanos se reinventarem de diversas formas. Para os meios de comunicação, a campanha Libras na TV chamou a atenção para a falta de acessibilidade das notícias sobre a covid-19 para as pessoas surdas. Com o objetivo de atender esse público, o Jornal de Piracicaba fez uma parceria com o Cersurdo (Centro de Assistência de Referência à Surdez) para tradução as matérias do jornal para Libras (Língua Brasileira de Sinais) no site.
O projeto passa pelas últimas definições operacionais e logo será divulgada a primeira matéria traduzida em Libras. De acordo com o diretor de criação de publicidade do JP, Alex Rodrigues, as matérias com acessibilidade serão escolhidas pela redação de acordo com a relevância da informação durante a pandemia. “Inicialmente, as mais importantes e, gradualmente, tantas quantas conseguirmos fazer”, conta. “As matérias acessíveis serão indicadas no portal com o símbolo de Libras”, complementa.
O Cersurdo presta serviço com objetivo de incluir o surdo na sociedade. “A gente faz todo o trabalho de interpretação de Libras em todos os espaços sociais, trabalho voltado para curso de Libras, também temos parceria com alguns cursos de pós-graduação”, explica a sócia da empresa e fonoaudióloga Flávia Garcia.
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Para Flávia, com as matérias traduzidas para Libras, “realmente a gente vai poder incluir de forma bastante respeitosa a pessoa surda”. A fonoaudióloga lembra que nem todas as pessoas surdas são alfabetizadas na língua portuguesa, o que dificulta o acesso à informação, que geralmente chega de forma escrita ou falada.
Para Thiago Pereira da Silva, 35, um dos líderes da comunidade surda de Piracicaba, o acesso à informação por meio de Libras é uma conquista para a comunidade. “Ter um jornal acessível em Libras em Piracicaba! Sem comentários! O sonho de toda a comunidade surda usuária de Libras!”, comemora. “Ter acesso a todas as informações que os ouvintes têm é uma conquista de décadas de luta. Muito surdos lutaram antes de nós por acessibilidade. Essa conquista será um marco histórico muito importante para a comunidade surda de Piracicaba e região”, avalia.
A professora Beatriz Turetta lembra que os surdos têm acesso principalmente a informações via YouTube e redes sociais. Para ela, isso é perigoso, pois é um recorte feito por outras pessoas no entendimento dessas pessoas.
“Estamos atentos para cobrar pelo nosso direito linguístico e acesso total às informações”, avalia Mariana Campos, uma das coordenadores da campanha Linhas na TV no Estado de São Paulo.
Andressa Mota
andressa.mota@jpjornal.com.br