11 de julho de 2026

Cartilha orienta famílias a aliviar cotidiano de filhos autistas durante quarentena

Por edicao_jp |
| Tempo de leitura: 2 min

A rotina é importantíssima à criança no espectro do transtorno autista. O horário das refeições, o momento de ir à escola e o tempo em casa para atividades como ler ou cuidar de um pet, por exemplo, tudo é sempre seguido à risca e com minúcia. A pandemia da covid-19, é evidente, quebrou esta dinâmica para toda a população, mas são eles que mais sentem e sofrem diante do cotidiano bagunçado e das incertezas do amanhã. Inclusive são fragilizados sem os atendimentos especiais sob orientação de profissionais e é para suprir esta necessidade que um grupo criou a ‘Cartilha de orientações para tempos de Isolamento Social’.

Com linguagem simples e de fácil compreensão em relação aos princípios básicos da interação e o desenvolvimento de atividades, bem como para auxiliar o estabelecimento de rotinas no período da quarentena, o material está disponível online e pode ser baixado gratuitamente.

Uma das colaboradoras da cartilha é a professora e supervisora do estágio do curso de psicologia da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e coordenadora do Ceapsi (Centro de Estudos Aplicados em Psicologia), Magali Rodrigues Serrano. O material é fruto da parceria do com a equipe Educar, grupo de avaliação e intervenção nos transtornos do neurodesenvolvimento, de Americana.

Magali conta que o material, de 34 páginas, foi produzida em cerca de 20 dias e sua organização surgiu após ela e todo o grupo perceber que o atendimento às cerca de 30 crianças demandava mais do que orientações online. “A cartilha é, na verdade, um manual para as famílias dar prosseguimento às orientações, se envolver mais com a edução especial da crianças durante esta quarentena, em casa”, ela destaca.

Os trabalhos começaram no início da quarentena e essa rapidez, explica, é porque existe uma equipe multidisciplinar envolvida, que aplicou no material o conhecimento do dia a dia. “Tem profissionais da psicologia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia”.

Repleto de ilustrações, textos educativos e para a reflexão, a cartilha também apresenta atividades lúdicas. “É um ponto interessante, porque assim a cartilha também funciona para pais com crianças fora do espectro autista. É educativa em qualquer natureza”, destaca Magali. “Pode ser um material relevante para famílias que estão em home office e precisam, ao mesmo tempo, cuidar dos filhos”.

Um exercício da cartilha, destacado por Magali, diz respeito ao diálogo com as crianças no espectro autista sobre a pandemia. “Elas sentem muito a mudança do cotidiano e falar com elas sobre o que está acontecendo. Uma lição válida é fazê-las desenhar pessoas com máscaras, por exemplo”.

Sobre o trabalho que estes profissionais terão com as crianças no espectro autista pós-pandemia, Magali acredita que, infelizmente, haverá um regresso. “Quanto mais ficam longe da rotina, da escola e dos atendimentos, elas tendem a regredir, perde a sistemática”, pondera.

Erick Tedesco