11 de julho de 2026

Por críticas, Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Piracicaba desiste de carreata e buzinaço

Por edicao_jp |
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Após pressão dos servidores, o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Piracicaba e Região cancelou carreata e buzinaço que havia convocado para hoje, às 10h, em frente ao Centro Cívico. De acordo com enquete realizada pelo próprio órgão, após críticas pela realização do protesto durante a pandemia do novo coronavírus – na qual a recomendação das autoridades sanitárias é que a população fique em casa, 88,9% dos participantes da pesquisa votaram contra a movimentação. Segundo nota da entidade, a carreata foi prorrogada por tempo indeterminado.

O sindicato havia convocado o movimento com objetivo de exigir da prefeitura “a reposição inflacionária nos salários da categoria”. A diretoria da instituição participará hoje de uma Mesa Permanente de Negociação.

Um dos servidores que foi contra a carreata, o jornalista Rodrigo Alves, da Câmara de Vereadores de Piracicaba, afirma que recebeu a arte da convocação pelo WhatsApp de um conhecido e que questionou em sua rede social a veracidade, preocupado devido à pandemia pela Covid-19. “Fiz um questionamento em minhas redes sociais e recebi como resposta, de uma funcionária do sindicato, de que bastava utilizar máscara, não sair do carro e ligar o ar-condicionado”, conta.

O jornalista acredita que a convocação do sindicato ignorou o decreto de calamidade pública do Estado de São Paulo devido ao novo coronavírus, que foi prorrogada nesta semana pelo governador João Dória (PSDB) para até 22 de abril. “Minha principal preocupação é com a saúde da categoria. […] Uma carretara como essa iria expor os servidores e ainda reforçar a opinião negativa da população quanto à atuação dos servidores públicos”, pontua Alves.

Em transmissão ao vivo realizada pelo Sindicato na manhã de ontem (8), o diretor da entidade, José Osmir Bertazzoni, afirmou que a carreata foi uma “convocação provocativa” e que não infligiria as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) pois as pessoas estariam dentro de seus carros. Ao lembrar da carreata realizada há 15 dias por pessoas que defendiam a reabertura do comércio na cidade, a qual o sindicato foi crítico, Bertazzoni comentou que o sindicato “tem duas funções, que não é função que aponta para o interesse financeiro de ninguém”, disse.

A servidora Sabrina Rodrigues Bologna, da Secretaria Municipal de Governo, alocada no Centro de Comunicação Social, não participou da enquete, mas se posicionou contra a carreata. Para ela, além da necessidade de evitar aglomeração, o protesto não impactaria efeito na decisão do município frente às reivindicações da categoria. “Não é a hora de atos. Nem em momentos de normalidade o sindicato dos municipais solicita grandes mobilizações. Não vai ser agora que vai querer mostrar serviço”, opina.

Sabrina defende que o sindicato deve ser firme nas negociações com o município ao pontuar que, durante a pandemia, são os servidores públicos que ficam na “linha de frente”. “O prefeito quer dar 3,6% de reposição só daqui a 90 dias, se for possível por conta da pandemia. Os servidores pedem a reposição já do valor agora e a discussão de aumento real, daqui a 90 dias, de 4%, e também discutir daqui 90 dias melhorias na cesta”, explica.

Andressa Mota