O reaparecimento do coronavírus tem gerado preocupação na população de todo planeta. Para quem não se recorda, o coronavírus, também chamado de Sars, entre os anos de 2002 e 2003 provocou centenas de mortes no mundo pela crise respiratória aguda grave, e pesquisas apontaram que após quatro anos da epidemia, quase metade dos sobreviventes apresentaram algum transtorno mental. A maioria manifestou estresse pós-traumático (54%), abaixo desse quadro em destaque a depressão (39%). Os dados foram publicados pela revista East Asian Arch Psychiatry no ano de 2014.
Agora nos deparamos com uma nova epidemia do coronavírus promovendo medo na população e momentos de crise na saúde pública, e já pensando nos possíveis impactos que deixará para a saúde mental. A China apresenta um extenso plano de intervenção emergencial em crises psicológicas para profissionais da saúde, e nesse plano prevê o acompanhamento psicológico de grupos de risco entre infectados e familiares para prevenção de comportamentos impulsivos e tendências suicidas.
No fim de janeiro deste ano, o governo Chinês passou a oferecer um canal de comunicação para que a população possa ligar e solicitar ajuda psicológica emergencial, como forma de prevenção do que aconteceu na última epidemia pela crise respiratória aguda grave. Pois os pacientes possivelmente infectados ou sobre suspeita podem manifestar muito medo das consequências em serem portadores da doença. Ainda para os indivíduos que passam pela experiência da quarentena podem vivenciar momentos que vão desde o tédio a solidão, podendo apresentar comportamentos de raiva em alguns momentos.
Esses sintomas são uma forma de expressão do sofrimento psíquico que podem, inclusive, levar a manifestação de transtornos de ansiedade, com o desenvolvimento de síndrome do pânico, depressão, agitação psicomotora, delírios e, em casos mais graves, a concretização do suicídio.
Vale abordar que os efeitos psicológicos das epidemias podem afetar equipes de profissionais que envolvem toda a área de saúde em hospitais, pois esses profissionais participam ativamente na luta contra a doença e podem desenvolver estresse pós-traumático, depressão, ansiedade, medo e frustração devido à possibilidade de serem contaminados e contaminarem os próprios familiares, amigos, animais de estimação, vivendo ainda, a impossibilidade de salvar os doentes atendidos por eles.
Todos os dias recebemos, por meio das mídias, dados atualizados sobre o aumento da população infectada, sua expansão para novas regiões e outros países, aumentando a quantidade de óbitos, o que promove o aumento do medo e pânico na população em geral.
A boa notícia é que as pesquisas têm avançado rapidamente e a previsão é que até mês de maio deste ano já exista uma vacina para conter o coronavírus. Nesse momento o melhor recurso para a população é a prevenção e o Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas como: lavar as mãos frequentemente com água e sabonete, evitar tocar os olhos, nariz, boca com as mãos não lavadas, evitar contato próximo com pessoas doentes, ficar em casa se estiver doente.
Cabe a psicologia a abertura de cuidados e amparo, pois as epidemias promovem conteúdos insuportáveis para o homem contemporâneo, reinventando por meio da sua prática revolução em como a população lida com questões de tamanho impacto emocional.