10 de julho de 2026

Tarcísio Pugliese: Quero retribuir o carinho da torcida

Por edicao_jp |
| Tempo de leitura: 10 min

Tarcísio Pugliese Barbulio, nasceu em São Paulo, no dia 8 de agosto de 1980. É filho de Arnaldo Barbulio Filho e Marisa Pugliese, e pai de Tarcísio Pugliese Barbulio Filho. Em Piracicaba, ele é o atual técnico do Esporte Clube XV de Novembro, o XV de Piracicaba, carinhosamente chamado de Nhô Quim por sua torcida e tradicional clube piracicabano. O paulistano chegou a cidade em novembro de 2018 e, mesmo não conquistando a divisão de acesso ou títulos, fez um grande trabalho no Nhô Quim, permanecendo no Clube desde então, e focado mais do que nunca de recolocar o XV na primeira divisão. Plugiese é o Persona do Arraso deste domingo.

Por quais clubes você passou desde que se tornou técnico de futebol?
Comecei como treinador no Guaçuano-SP, depois fui para o Luverdense-MT (três vezes), Novo Horizonte de Ipameri-GO, Rio Branco-AC (duas vezes), São José-SP (duas vezes), Nacional-AM, Icasa-CE (duas vezes), Caldense-MG, Guarani-SP, Volta Redonda-RJ, Ituano-SP, Felcra (Malásia) e XV de Piracicaba.

Como foi o começo de sua carreira? Quais foram os desafios iniciais e com qual idade começou a ser treinador?

O começo foi bastante complicado e difícil, até por nunca ter sido jogador. Sou formado em educação física e comecei fazendo estágio na Ponte Preta-SP, foi bem difícil conseguir uma oportunidade, já que estava em um meio completamente diferente. Depois virei preparador físico, onde trabalhei em várias equipes, e o último time em que fui preparador, foi no próprio XV, em 2006. Depois comecei como treinador no Guaçuano, aos 25 anos. Foi a oportunidade que tive e confesso que foi um desafio.

Quais foram seus títulos e quais feitos considera os mais importantes?
Fui campeão estadual (2009) e da Copa Mato Grosso (2007), além de subir para a Série C com o Luverdense. Tive dois vices de Copa Paulista (2015 com o Ituano e 2019 com o XV), participei do acesso da Série C para a B com o Icasa e com o Oeste (ambos em 2012), do acesso da segunda para a primeira divisão com o Felcra, na Malásia, onde fomos vice campeões (2018), além de uma Copa Interior do Ceará com o Icasa.

Os mais importantes foram os títulos com o Luverdense, que me abriram o mercado em São Paulo. Esses títulos, acredito, foram fundamentais para que acontecessem várias mudanças na minha carreira.

Você tentou ser jogador antes? Sem sim, por que não deu certo?
Não tentei, porque tinha noção de que não tinha condição técnica para isso.

No Brasil temos vivido ciclos, com os clubes apostando em técnicos jovens em um momento, e no outro, investindo nos mais experientes, conhecidos como “medalhões”. Você já sofreu ou sofre preconceito por ser um técnico jovem?

No começo tive bastante problemas em questão da idade, já que muitos presidentes e dirigentes traçavam uma relação de idade com comando, o que é uma bobagem, já que comando está ligado ao conhecimento e postura, e não a idade. Isso me gerou muitas dificuldades no início, mas hoje não, até por estar a mais tempo e ter um nome estabelecido no mercado não tenho mais problema com essa questão.

Antes de chegar a Piracicaba você enfrentou o XV algumas vezes. Como foram essas experiências?
Joguei algumas vezes contra o XV, tanto na Série A1 quanto na A2 e sempre foram jogos difíceis, já que jogar aqui é complicado em razão da torcida, que apoia e ajuda bastante. Portanto, quando você vem jogar contra o XV sempre é uma partida desgastante e complicada.

O que te chamou mais a atenção na equipe. Pensava em treinar o time algum dia?

O que mais chama a atenção aqui é o fato de o torcedor ser bastante atuante, apoia os 90 minutos, mesmo quando a equipe está mal na partida. Ele cobra e exige bastante, mas durante o jogo ele ajuda muito, e fatores como este dá vontade para qualquer profissional treinar o XV. Claro que eu tinha essa vontade e esse foi o principal fator.

Qual foi o momento mais difícil de sua carreira? Pensou em desistir?

Passei por muitos momentos difíceis até conseguir me estabilizar no mercado. Foi muito complicado até ficar um longo período no Luverdense, até conseguir títulos importantes e colocar a equipe no cenário nacional, que até então, era um clube desconhecido. Em muitas situações fiquei sem time e trabalhei em clubes que não pagavam e é inegável que passando por isso tudo você pensa em desistir.

Como foi sua chegada ao XV? Esperava a confiança em que a torcida depositou em você?

Cheguei no XV por meio de um convite do Ricardo (Moura, diretor de futebol) no meio de novembro de 2018. Vim para Piracicaba, fizemos uma reunião e rapidamente nos acertamos, pois fiquei contente com a proposta de um clube tradicional, que precisa estar, no mínimo, na primeira divisão paulista e na segunda do brasileiro. A torcida é grande e a cidade muito gostosa e prontamente aceitei. Fiquei muito contente com essa confiança que a torcida tem depositado em mim desde o ano passado.

No fim do ano, alguns veículos de comunicação disseram que você tinha uma proposta para ser auxiliar técnico no Corinthians? Essa proposta realmente aconteceu? Se sim, por que recusou?

Sim, realmente tive uma proposta do Corinthians no final do ano passado. O Tiago Nunes, atual técnico do Corinthians, foi meu auxiliar durante muitos anos e logo após acertar com o clube, ele me ligou fazendo o convite para ir como auxiliar no Corinthians. Mas naquele momento achava que deveria ficar aqui, estava e contínuo muito feliz em Piracicaba, gosto muito de trabalhar aqui, gosto das pessoas que acreditam muito em nosso trabalho. O fato de a torcida ter dado apoio durante todo o ano, mesmo nos momentos difíceis, foi fundamental para decidir por permanecer aqui. Espero ter um ano tão bom quanto aquele, mas com um final diferente agora, com acesso, portanto fiquei para retribuir tudo que tenho recebido da torcida.

A sequência de quatro jogos sem vencer no começo do ano foi o seu período mais difícil no XV?

Com certeza essa sequência de quatro jogos sem vencer foi meu período mais difícil no XV. Já sabíamos que seria complicado, já que muitos atletas que estavam jogando tinham chegado a pouco tempo. Daqueles jogos, acredito que só não fomos bem diante da Portuguesa. Nos outros sempre evoluímos e jogamos melhor que o adversário, o que reverteu em confiança, pois sabíamos que uma hora começaríamos a vencer.

Pensou em pedir demissão após essa sequência negativa? O que te fez continuar na equipe?

Jamais pensei pedir demissão, de forma nenhuma. Essa loucura de mudar o treinador após três jogos, tem que mudar. Infelizmente, faz parte da nossa cultura, mas isso tem mudado, sendo que um exemplo é o Corinthians, que não está bem no Paulista, não se classificou na Libertadores e manteve o trabalho. Isso tem mudado bastante.

Você teve respaldo da diretoria para continuar na equipe?

Em relação a diretoria tive o total respaldo, tanto do presidente Arnaldo (Bortoletto), do Rodolfo (Geraldi, presidente do Conselho Deliberativo), do Ricardo, quanto das pessoas que tenho um contato diário, como o Beto Souza (gestor de futebol), que é um cara muito competente e que sempre apoia o nosso trabalho e buscava todas as soluções possíveis. Claro que foi um momento difícil, mas continuamos unidos para conseguir passar por isso.

Qual foi o seu melhor momento na carreira?
Tive ótimos momentos na carreira, com muitas experiências positivas. No Luverdense passei quatro anos dirigindo a mesma equipe, depois três anos no Ituano, na Malásia, que foi um sonho trabalhar no exterior, conquistando um acesso. Hoje, aqui no XV é um momento maravilhoso, pessoalmente muito bom, já que estou muito feliz e espero ficar anos aqui. Já estamos quase completando um ano e meio e espero que esse tempo possa durar bastante ainda.

E qual foi o seu pior momento na carreira?

O momento mais difícil foi em 2008, na minha saída do Novo Horizonte de Ipalmeri, quando minha condição financeira estava complicada, ainda não tinha um nome muito estabelecido no mercado. Era difícil surgir algo naquele momento.

Quais são seus objetivos no comando do XV? Além do acesso, em que patamar pretende elevar a equipe?

Além de buscar esse acesso, que é um sonho que temos de colocar o XV na A1 novamente, quero colaborar, principalmente, nas categorias de base. Já estamos fazendo isso, subindo alguns atletas, como (João) Veras, que hoje está na Ponte Preta, o Samuel (Andrade), que joga com frequência, o Erison, e otros atletas entrando, como David, Muriel, portanto quero participar deste projeto que há muitos anos não acontece no clube, que é a revelação de atletas da base. É uma parte do trabalho que gosto bastante, além disso penso na estrutura física do XV. Temos conversado bastante sobre isso, para ajudar o Rodolfo, o Arnaldo e o Ricardo nessa estruturação física da equipe, para melhorar as condições de trabalho para os atletas e para as pessoas que trabalham no XV.

Qual a sua opinião sofre os técnicos estrangeiros no país?

Acho extremamente positiva a vinda de técnicos estrangeiros ao Brasil. Esse intercâmbio e troca de informações é válida e bacana. Só acho que devemos ter cuidado quando isso vira modismo e, no Brasil, temos esse hábito de que quando algo que dá certo, vira moda. Tem bons treinadores estrangeiros, como portugueses, holandeses, espanhóis, argentinos e ótimos treinadores brasileiros também, mas como em todos as profissões também têm profissionais que são ruins. Não é porque é estrangeiro que é bom e porque é brasileiro que é ruim. Temos que ter cuidado com esse tipo de situação, que é bastante normal no Brasil. Esse intercâmbio é muito válido, só temos que ter cuidado para não rotular as pessoas.

Qual a sua história mais curiosa nos gramados?
Acho que não tem uma situação curiosa ou fato que possa falar. Difícil achar isso.

No começo da carreira trabalhou com o técnico Tiago Nunes, do Corinthians. Como era essa relação e o que você tem a dizer dele?

O Tiago trabalhou comigo em vários clubes. Começamos isso em 2007, quando ele era o meu preparador físico no Luverdense. A última equipe em que trabalhamos juntos, não me engano, foi no Nacional-AM em 2011, quando ele era meu auxiliar técnico. Ele é muito amigo meu, muito inteligente, bastante competente, estudioso e que trabalhou bastante para chegar onde está. Ele teve uma carreira muito dura, muito sofrida para conquistar o que conquistou hoje. Sempre tivemos uma relação muito próxima, temos uma amizade muito grande. Sempre mantivemos contato, e é um cara que tenho um carinho e admiração muito grande.

Qual foi a sua influência na carreira do Tiago Nunes?

Difícil falar o quanto influenciei ele (Tiago Nunes), mas tenho certeza de que fui bastante significativo, até por termos carreiras parecidas. Nós dois fomos preparadores físicos, conversávamos sobre isso, sobre a vontade dele em virar treinador, tanto que o primeiro clube que ele dirigiu foi um em que tive uma proposta, acertei com essa equipe que iria para o Campeonato Brasileiro, mas não naquele momento. Portanto, mandei ele antes como treinador e ele voltou como meu auxiliar.

Na fase final do Paulistão, os árbitros terão o uso do árbitro de vídeo (VAR)? O que você acha desta ferramenta? Ela é benéfica para o espetáculo ou só atrapalha?
Acho extremamente positivo, uma atitude bacana da FPF (Federação Paulista de Futebol). No jogo de ida da semifinal do ano passado, tivemos um gol legítimo do Ronaldo contra a Inter de Limeira e que foi mal anulado. Se tivesse o VAR, provavelmente aquele gol teria sido validado e a história teria sido outra, portanto acho muito importante a presença do VAR.

Quais são seus objetivos na carreira?
Hoje o meu principal objetivo é colocar o XV em outro nível, em que o clube deve e merece estar. Claro que tenho os meus objetivos, que é dirigir os grandes clubes do país, gostei da experiência em trabalhar no exterior e quero voltar a trabalhar fora, mas tudo no momento certo. Hoje estou muito feliz em Piracicaba.

Fora de campo, como é o Tarcísio Pugliese? O que ele gosta de fazer? Quais são seus hobbies e gostos?

Sou um cara muito tranquilo, gosto de ficar em casa e o que mais gosto de fazer é de ficar com o meu filho, de brincar e jogar videogame com ele, levá-lo no cinema, passear, jogar futebol. Estar com ele é a coisa que mais me dá prazer. Também gosto de sair com os meus amigos, de estar com a minha família. Gosto de fazer programas mais tranquilos.

Mauro Adamoli

Foto: Claudinho Coradini/JP