08 de julho de 2026

Um sonho sempre pode acontecer (II)

Por André Zem |
| Tempo de leitura: 3 min

Semana passada eu escrevi que o sonho se conquista passo a passo. Ou seja, sucesso se alcança em camadas, como as camadas das cebolas que eu tinha que descascar e que me faziam chorar no início da minha vida profissional. Camadas que encarei como etapas a superar, objetivamente, uma por vez. Houve um tempo em que eu sabia que já tinha conquistado muito. Mas meu sonho era maior. Queria ser palestrante.

Nas palavras de Carlos Drummond de Andrade, “Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho”. Por causa disso eu expandia meu horário de trabalho. Permanecia à noite na loja treinando meu lado palestrante. Montava um palco e ficava falando, quase sempre para ninguém. Nessa época, recebi e sou grato ao apoio de amigos que acreditaram em mim. Como Fábio Berto de Oliveira, que me auxiliava como um mentor. Ele falava sem rodeios se estava bom ou não, me interrompia quando eu gaguejava ou cometia erros. Um grande incentivador. Eu já tinha todo o equipamento de palestras montado. Comprava com o dinheiro que me sobrava a cada mês, um pouco por vez. O segurança da loja ouviu inúmeras vezes as palestras, até de madrugada. Ele brincava que, se alguma coisa acontecesse comigo antes da apresentação, ele poderia me substituir. Como já me disse um amigo, Edilson Lopes, fundador e diretor-geral da K.L.A. Educação Empresarial: “Você precisa de um homem por trás das cortinas”.

Nesse tempo, meus funcionários, mesmo eu sendo o líder, sempre me corrigiam caso eu escorregasse no português ou na pronúncia. Faziam isso a meu próprio pedido. Eu queria crescer, corrigir meus pontos fracos, aparar minhas arestas. Pedia para que não me atrapalhassem no momento das reuniões, mas anotassem num caderno e depois me explicassem. Eles gostavam da minha humildade em pedir sugestões. Isso fez com que nosso relacionamento não ficasse de cima para baixo, havia uma interação. Um ensinamento no mundo dos negócios diz que o poder da liderança aumenta na medida em que o líder não precisa se utilizar dele, pois poder não se impõe, conquista-se. E eu acredito nisso.

Acredito também no que dizia Raul Seixas: “Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Você sempre precisa de alguém que lhe “empurre”. E quem fez esse papel para mim foi a Tatiana Elizabeth Domingos. Essa moça exerceu um papel fundamental na minha carreira porque acreditou no meu sonho. Edilson Lopes teve toda razão com a frase “homem por trás das cortinas”. No meu caso, ele só errou o sexo. Ela foi a primeira e puxou uma fila de grandes apoiadores da minha carreira, homens e mulheres que me deixaram feliz no palco, enquanto cuidavam de tudo por trás das cortinas.

Tatiana sempre me falava para fazer inglês, estudar, senão eu não iria progredir. Culta, com inglês fluente, arquiteta formada e pós-graduada pela PUC, acredita no poder do estudo. Mas eu não dava “muita bola”. Achava que a escola da vida bastava. Mas não é assim. Tati me provou que a vida acadêmica mostra coisas que seus olhos não conseguem enxergar. Abre a visão, a mente. E por que eu precisei tanto dela? Eu dizia que não faria faculdade, mas ela arrancou um dia o RG das minhas mãos e me inscreveu no vestibular. Ela me fez ver um mundo novo. O estudo começou a fazer parte da minha rotina e foi o impulso para eu alcançar voos mais altos. Um deles, meu livro “Nunca mais perca uma venda em hipótese nenhuma”, é best seller na literatura sobre vendas!

E você? Tem o “homem por trás das cortinas”?