Vivemos em um “mundo” em que precisamos ser aceitos para nos possibilitar oportunidades em todas as áreas da vida, inseridos adequadamente em uma sociedade que nos julga como “cidadãos de bem”. E, por conta dessa cobrança, é difícil admitir que os indivíduos mentem. A mentira é vista como ruim e é muito comum as pessoas afirmarem que não a praticam. Para muitos, criar “desculpas” simples é a forma de mascarar a verdade. Quantas vezes passamos por dificuldades e quando nos perguntam como estamos, dizemos: “estamos bem”. Afinal, essa é uma “mentirinha” que não prejudica ninguém, não nos deixa expostos, mas que também é a falta da verdade.
Mas existem indivíduos que não conseguem viver, ou seja, não conseguem se relacionar sem utilizar da ferramenta da mentira, com o intuito de se beneficiar e ou prejudicar os demais. São indivíduos que não conseguem avaliar as consequências e prejuízos que a mentira pode causar. Não se importam, nem sentem remorso com as pessoas prejudicadas.
A mentira na vida de um indivíduo pode ter sido aprendida por repetição ou interpretação, caso a pessoa tenha se desenvolvido emocionalmente em um ambiente onde existiam tutores, genitores ou familiares em geral, que utilizavam frequentemente desse recurso. Assim, quando adultos tendem a reproduzir as condutas aprendidas é comum identificarmos crianças que utilizam de pequenas “mentirinhas” para obterem vantagens, e pais que mesmo identificando tal conduta, incentivam essa prática.
Porém, ao longo do tempo, essas crianças tendem a tornar-se adultos que, para obter benefícios, poderão utilizar-se do artifício da mentira. E nesse momento, a tal “mentirinha que não faz mal a ninguém” pode promover fortes prejuízos.
É fundamental que os tutores, genitores e familiares façam uma reflexão em seus lares sobre que perfil de adulto são de exemplo para seus filhos, e corrijam atitudes se julgarem necessário, se lapidando para serem bons exemplos. As crianças precisam de direcionamento no processo de desenvolvimento, precisam entender que a “mentirinha” pode causar danos e que por mais difícil que seja é muito mais saudável optar pela verdade, pela sinceridade.
A ciência psicológica explica que parte dos indivíduos mentem, por identificarem o beneficio que lhe trazem e continuam mentindo para a obtenção ou manutenção dos bons resultados, ainda que seja uma ilusão tudo o que a mentira proporcione. Ela é usada como um mecanismo de proteção para evitar o desconforto, o enfrentamento das próprias dificuldades e com a intenção de prevalecer os benefícios.
Na mitomania a mentira é patológica e nesse distúrbio de personalidade, o indivíduo portador mente compulsivamente, com o objetivo de beneficiar-se ou promover prejuízos aos demais. Essas pessoas mentem a respeito de todos os assuntos em sua vida, sem nunca demonstrar constrangimento ou remorso, nem mesmo quando as mentiras são descobertas chegando, inclusive, em situações extremas para sustentar as mentiras, atingindo ao ponto de acreditar na própria história. Esses casos necessitam de tratamento, porém os portadores dessa problemática, apresentam forte resistência a isso.