Uma vitória da diversidade. Esse pode ser considerado o balanço da histórica edição de 2021 da Cerimônia do Oscar que, se não teve o glamour dos anos anteriores por conta das restrições impostas pela Covid-19, ao menos valorizou quem poucas vezes teve espaço no prêmio mais importante do cinema mundial.
A cobrança global de uma plateia que exigem filmes e histórias mais globais e multiétnicas começam a ser atendidas. E a última edição do Oscar premiou que teve desta que em 2020.
Chloé Zhao, cineasta chinesa, foi o grande expoente desta edição ao ver o seu filme, Nomadland, ser premiado em três categorias: além de melhor filme, também teve a melhor direção e a melhor atriz. E, mais: ela foi a primeira cineasta não-branca a ganhar a tão cobiçada estatueta.
Frances McDormand, vencedora do prêmio de melhor atriz, foi protagonista de um filme diferente, que teve personagens reais contracenando com ela em um longa que mostra a realidade de pessoas que perderam tudo durante a crise da década passada nos Estados Unidos e passaram a viver, como nômades, em trailers e ônibus no país.
RACISMO.
Em um ano onde o racismo foi assunto bastante discutido, com uma histórica manifestação mundial em protesto à morte de George Floyd, um homem americano negro, assassinado por um policial branco, os negros ganharam também espaço na telona.
Um dos grandes exemplos da conquista de espaço nesta edição do Oscar foi Daniel Kaluuya, ator negro que levou a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante por “Judas e o Messias Negro”.
Travon Free, diretor do vencedor “Dois Estranho”, na categoria curta-metragem, aproveitou seu discurso para criticar a violência de policiais brancos contra negros nos Estados Unidos.
Ainda no campo da diversidade, a sul-coreana Yuh-Jung Youn desbancou a renomada e badalada Glenn Close, faturando o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por “Minari”, outro filme que também concorreu ao Oscar nesta temporada.
RELIGIÃO.
Na edição 2021 do Oscar, pela primeira vez houve indicação a Melhor Ator a um homem muçulmano. Riz Ahmed disputou a estatueta com o Chadwick Boseman ("A Voz Suprema do Blues"), Anthony Hopkins ("Meu Pai"), Gary Oldman ("Mank") e Steve Yeun ("Minari"), que sagrou Hopkins. Ahmed não venceu, mas deixou seu nome na história.
Veja todos os vencedores da edição 2021 do Oscar:
Melhor filme
Nomadland (Em cartaz nos cinemas)
Melhor direção
Chloé Zhao, de Nomadland (Em cartaz nos cinemas)
Melhor ator
Anthony Hopkins, de Meu pai (Now, Google Play)
Melhor atriz
Frances McDormand, de Nomadland (Em cartaz nos cinemas)
Melhor ator coadjuvante
Daniel Kaluuya, de Judas e o messias negro (Em cartaz nos cinemas)
Melhor atriz coadjuvante
Youn Yuh-jung, de Minari (Em cartaz nos cinemas)
Melhor filme internacional
Druk - Mais uma rodada, Dinamarca (Now, Apple TV, Google Play)
Melhor roteiro adaptado
Christopher Hampton e Florian Zeller, por Meu pai (Now, Google Play)
Melhor roteiro original
Emerald Fennell, por Bela vingança (Estreia nos cinemas prevista para maio)
Melhor figurino
Ann Roth, por A voz suprema do blues (Netflix)
Melhor trilha sonora
Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste, por Soul (Disney+)
Melhor animação
Soul (Disney+)
Melhor curta de animação
Se algo acontecer... te amo (Netflix)
Melhor curta-metragem de ficção
Dois estranhos (Netflix)
Melhor documentário
Professor polvo (Netflix)
Melhor documentário de curta-metragem
Collete
Melhor som
Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Carlos Cortés e Phillip Blath , por O som do silêncio (Amazon Prime Video, Now, Google Play, Apple TV, Looke)
Melhor canção original
Fight for you, de Judas e o messias negro (Em cartaz nos cinemas)
Melhor cabelo e maquiagem
Sergio López Rivera, Mia Neal e Jamika Wilson, por A voz suprema do blues (Netflix)
Melhores efeitos visuais
Andrew Jackson, David Lee, Andrew Lockley e Scott Fisher, por Tenet (Now, Apple TV, Google Play, Looke)
Melhor fotografia
Erik Messerschmidt, por Mank (Netflix)
Melhor edição
Mikkel E.G. Nielsen, por O som do silêncio (Amazon Prime Video, Now, Google Play, Apple TV, Looke)
Melhor design de produção
Donald Graham Burt e Jan Pascale, por Mank (Netflix)