A série documental "Guia Politicamente Incorreto", que estreou no último sábado (22), causou polêmica no canal History. Baseado no livro homônimo de Leandro Narloch, a atração tem o objetivo de "lançar um novo olhar sobre fatos históricos do Brasil", em tom de humor, a partir de entrevistas com especialistas.
No entanto, alguns historiadores que foram entrevistados alegam que não foram informados sobre o conteúdo final da série na ocasião em que gravaram suas participações.
"No dia 2 de fevereiro, uma equipe do History Channel veio em minha casa. Entrevistou-me para o que seria, segundo me informaram genericamente, 'uma série sobre a história do Brasil", contou Lira Neto no Facebook.
"Fiquei pasmo quanto o entrevistador, Matheus Ruas, da produtora Fly, pediu-me explicitamente para responder as questões como se, do outro lado da lente, sentado na poltrona estivesse Homer Simpson'", continuou ele que afirmou ter ficado sabendo só depois que a sua fala seria aproveitada na série.
"O sentimento é de que fui ludibriado. Sinto-me violentado em fazer parte de qualquer produção que recorra à superficialidade e ao polemismo fácil. Neste momento em que se confunde jornalismo com entretenimento, bravata com reflexão, inconsistência com leveza, creio que seja necessário reafirmar o compromisso com a responsabilidade e o rigor da pesquisa histórica".
Após seu desabafo em rede social, outros historiadores relataram ter passado pela mesma situação, como Laurentino Gomes, Mary Del Priore, Isabel Lustosa e Lilia Schwarcz.
OUTRO LADO.
O autor do livro que inspirou a série, Narloch, também se pronunciou sobre o caso. "Entendo a queixa dos entrevistados e concordo com o pedido", afirmou também na web. "Quem participa precisa saber com quem está conversando e qual o objetivo da entrevista".
"É especialmente lamentável isso também ter acontecido com o Laurentino Gomes, autor que, como me disse ontem, contribuiria com prazer se a produtora tivesse sido transparente", afirmou.
Ele, porém, elogiou a atuação do programa. "Com tanta intolerância à divergência de ideias hoje em dia, nada melhor do que criar um debate elegante sobre temas delicados da história do Brasil".
Em nota, o History informou que acredita que tenha conseguido criar um programa jovem e relevante e que a tolerância e o diálogo devem prevalecer.
"Cortar alguns dos entrevistados certamente empobreceria o debate e o equilíbrio que o canal busca com a série. Todos os entrevistados assinaram autorização de uso de imagem. Ainda assim, o History está esclarecendo a situação com a produtora Studio Fly e se manifestará oportunamente", informaram..