11 de julho de 2026
Viver

Biólogo e artista, Paulo Sawaya estampa fotografia na capa de OVALE

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 2 min
capa passaro

De cabeça baixa, como uma reverência. É assim que a Viuvinha foi flagrada por Paulo Sawaya, biólogo joseense apaixonado pela natureza, dono do clique que estampa a capa de OVALE nesta edição especial de final de ano.

O pássaro foi fotografado em seu ninho em uma das expedições do professor de biologia por Fernando de Noronha (PE). Na ocasião, a observação lhe rendeu dois cliques, um com Viuvinha de cabeça baixa e, no segundo seguinte, de cabeça erguida.

"A posição do pássaro chamou minha atenção. Soou como uma metáfora, uma necessidade da humanidade de se colocar com mais humildade diante do próximo", contou Sawaya, que ao elevar o clique a categoria de obra de arte, deu-lhe o exato nome de "Humildade".

A fotografia, originalmente 60 x 90 cm, fez parte do projeto "Mãos à Obra", realizado por OVALE em parceria com a galeria Victor Hugo, de São José dos Campos, e que começou com uma exposição, em novembro, e encerrou com um leilão de arte, em dezembro, cuja renda será integralmente revertida ao Gacc (Grupo de Assistência à Criança com Câncer).

OLHARES.

Biólogo há 26 anos, especialista em botânica e ecologia, Sawaya viu na fotografia uma ferramenta de trabalho. Passou a fazer expedições por diferentes biomas. Esteve no Alasca e no Grand Canyon (ambos nos Estados Unidos); no deserto do Atacama (Chile) e na cordilheira dos Andes (que corta diversos países da América do Sul).

"De cada ecossistema volto com um material composto por algo em torno de 4.000 fotos", contou ele. "Então comecei a selecioná-las para usar em workshops e palestras".

Junto desse trabalho, o biólogo passou a transformar aquilo que era um clique para uso pessoal numa verdadeira obra de arte. "Utilizo o potencial de cada bioma em que viajo para realizar um ensaio fotográfico. Então, por exemplo, quando viajo a florestas tropicais, foco nos pássaros, na chuva e em animais do dia e da noite", disse ele que também tem em seu acervo, fotos de comunidades ribeirinhas e indígenas.

Engana-se quem acha que do negativo ele faz quantas impressões precisar. Quando optou por tornar-se também artista, todas as suas imagens passaram a ser numeradas e certificadas.

"Não tenho uma produção em larga escala", afirmou ele. "As imagens que opto por imprimir, faço em Hahnemühle (papel alemão feito 100% de algodão compactado) e tinta mineral". Assim, da obra "Humildade" há apenas dez cópias no mundo todo.

Projeto.

A tela de Paulo Sawaya foi arrematada no leilão beneficente por R$ 2.500. E, no mercado de arte, um trabalho seu pode chegar a R$ 10.000.

"O paciente do Gacc é um guerreiro. A posição do passarinho é o respeito que eu tenho por essas pessoas que estão na quimioterapia. Elas são batalhadoras", cravou o artista.

O projeto contou com a colaboração de 70 artistas que doaram obras à entidade.

OVALE segue publicando obras de arte na sua capa e, a contracapa apresenta também mais trabalhos que fizeram parte da ação de 2018..