"Anjo da Guarda". Esse é o nome da obra, feita por Lili Figureira, e escolhida por Fátima Aparecida dos Santos para ilustrar a página 8 desta edição, no projeto "Arte n'OVALE", que dessa vez homenageia aquela que completaria 100 anos no dia 20 de setembro.
A imagem, feita para a exposição "Do Barroco ao Barro", no antigo Espaço das Artes Helena Calil, de São José dos Campos, revela a religiosidade da figureira e sua profunda devoção por anjos.
"Ela dizia que cada pessoa, ao nascer, era acompanhada de um anjo, designado a protegê-la durante toda a vida. E assim foi minha mãe, uma pessoa muito devota e que conseguiu superar as dificuldades da vida com sua fé inabalável em Deus e seu amor pelas pessoas", contou Fátima, filha da artesã e que herdou da mãe o dom das artes manuais.
Bio.
Nascida em Taubaté e batizada Maria Benedita dos Santos, Lili representava em suas obras o cotidiano do morador ribeirinho do Vale do Paraíba. Enquanto esculpia, revelava as memórias de um passado repleto de significados e sentidos.
Sua história na arte começou quando ainda era ainda pequena, vendo sua avó fazer vasos, potes e panelas de barro. Na época, com seis anos de idade, Lili pediu ajuda da idosa para fazer uma galinha, sua primeira peça.
Desde então, não parou mais. E o que era uma brincadeira virou profissão.
"Tenho muita história para contar, então, conforme as vou contando, vou encenando com as figurinhas", contou Dona Lili, em reportagem de OVALE, publicada em 2014.
Dona Lili morreu em 2015, aos 96 anos, depois de ser diagnosticada com pneumonia. Deixou seis filhos, 11 netos, 16 bisnetos e um legado imenso na história das artes plásticas do Vale do Paraíba..