10 de julho de 2026
Viver

Brasil lança maior número de animações em 22 anos

Por Da Agência Brasil@jornalovale |
| Tempo de leitura: 3 min
Peixonauta. Personagem faz sucesso na TV e no cinema

Em 2017, o mercado brasileiro de animação viveu seu melhor cenário desde a chamada "retomada" do cinema nacional, ocorrida em 1995. Foram lançados sete longas de animação. Nos 22 anos anteriores, foram 18 longas no total. E tudo indica que é só o começo da boa fase.

Estão em fase de produção outros 25 longas-metragens de animação.

O filme "Lino", de Rafael Ribas, um dos sete lançados no ano passado, se destacou entre os 20 filmes brasileiros de maior bilheteria (de um total de 158 títulos nacionais lançados em 2018).

O longa contou com um orçamento de R$ 8,3 milhões (R$ 4,5 milhões vieram de leis de incentivo previstas na Lei do Audiovisual; R$ 1 milhão via Fundo Setorial do Audiovisual e pouco mais de R$ 200 mil por meio de outros editais). Distribuído pela Fox, após quatro semanas de sua estreia, a animação gerou uma renda de R$ 3,8 milhões.

E, quando o assunto são as séries animadas, nos últimos dez anos, a produção passou de duas para 44. Inclusive, "Peixonauta" e "Show da Luna", ambas brasileiríssimas, são campeões de audiência no canal pago Discovery Kids.

O mercado aquecido tem chamado a atenção do setor em todo o mundo. Tanto que o Festival de Annecy, na França, o maior e mais importante festival de cinema de animação do planeta, vai homenagear a animação brasileira na edição deste ano, que será realizada de 11 a 16 de junho.

Fundo do audiovisual.

Como um dos principais mecanismos de fomento à produção audiovisual no Brasil, o FSA - administrado pelo Minc (Ministério da Cultura) por meio da Ancine (Agência Nacional do Cinema) -, vem se mostrando uma importante ferramenta para o crescimento do mercado de animação nacional, tanto no cinema quanto em séries

para a televisão.

Desde sua implantação, em 2007, foram investidos mais de R$ 109 milhões em produções do gênero, em sua maioria voltadas para o público infantil.

Fomento.

Os recursos que compõem o FSA provêm de diversas fontes, em especial da arrecadação da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional). Ele também é composto por receitas de concessões e permissões do setor de telecomunicações, como o Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações). Ou seja, é o setor alimentando o próprio setor.

Para Ricardo Rozzino, dono da TV Pinguim, fundador de uma das maiores franquias infantis de animação brasileira e responsável pelo "Show da Luna", o financiamento público é uma solução para a dificuldade enfrentada pelos produtores para a realização de séries de TV.

"No caso de 'O Show da Luna', hoje exibido em 74 países, esse investimento permitiu que a produção tivesse início, atraindo posteriormente outros investimentos", informou a Agência Brasil.

Ainda segundo ele, a chegada de diversas séries brasileiras a canais de TV paga estrangeiras sinaliza ao mundo que o Brasil possui produtoras com capacidade de realizar bons produtos, com boa aceitação, inclusive no exterior.

O FSA, na opinião de Rozzino, vem permitindo aumentar bastante o volume de horas produzidas e a presença desses produtos em diversos canais.

O animador Andrés Lieban, criador de uma das séries infantis brasileiras de maior sucesso, "Meu AmigãoZão", também acredita que o FSA e a Lei 12.485/2011 (Lei da TV Paga) são essenciais para o desenvolvimento do setor audiovisual, sobretudo para a televisão.

"Foi possível viabilizar muitas séries infantis, formato que era inédito no Brasil sete ou oito anos atrás. Hoje, crianças brasileiras podem escolher heróis nacionais como ídolos entre seus desenhos animados favoritos, referência que adultos de hoje não tiveram. Isso impacta na formação, na ideologia e até na autoestima de um povo", destacou também a Agência.

A série "Meu AmigãoZão" recebeu R$ 4,5 milhões do FSA para a realização de duas temporadas para TV e mais R$ 2,5 milhões para a produção de um curta-metragem. "Com o FSA, é possível pensar em obras de grande escala, porque há como planejar o retorno do investimento. O curta, no entanto, pode e deve continuar a ser estimulado, como investimento em cultura", continuou.

"Sem espaço para uma produção experimental livre de dirigismos estéticos ou narrativos, a indústria também não irá se desenvolver na plenitude e pode se atrofiar com o tempo", defendeu..