11 de julho de 2026
Viver

São José realiza o Musi.Vale, festival de música erudita

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 3 min
Som. 'Toda música tem a sua raiz popular. Muitas acabaram adaptadas para eventos aristocráticos e por isso se diz eruditas. Mas sua origem é popular. E por isso agrada todo o mundo, independente de classe social ou conhecimento musical', disse Raquel Aran

Num primeiro momento, música erudita parece papo de "gente culta". Mas basta que a primeira nota seja tocada numa apresentação para que todos os presentes - até os que dizem não gostar do estilo - comecem a apreciá-la.

E é para mostrar que trata-se este de um gênero que pode ser "degustado" por todos, sem que necessite de um conhecimento prévio sobre autores e obras, é que ocorre a partir desta segunda-feira (20), o primeiro Musi.Vale - Festival de Música Erudita de Câmara, em São José dos Campos.

Como objetivo, além de formação de plateia, a difusão do repertório e a promoção de atividades educativas que ofereçam conhecimento cultural específico para a comunidade. Graças a este último braço do projeto, as apresentações ocorrerão em espaços públicos, patrimônios históricos municipais.

Como destaques, músicos e pesquisadores da cultura europeia dos séculos 16 e 17. "Minha ideia nesse projeto é unir várias pontas. Apesar da distância cultural e temporal entre a nossa região e a Europa, é importante que nós possamos conhecer o nosso passado histórico. São José, como vila, foi fundada em 1767. E tudo o que é anterior a essa fundação também compõe a nossa história e as nossas tradições", afirmou Raquel Aranha, musicista, pesquisadora e organizadora do evento.

"E a música perpassa tudo isso. Ela é atemporal, fura quaisquer barreiras geográficas. Os filósofos gregos já diziam que ela afeta a alma, tem o poder de alterar o estado emocional. E isso se confirma a cada novo espetáculo", continuou ela.

Íntimo.

O festival trata de Música de Câmara, aquela escrita para ser executada com poucos instrumentos e/ou vozes, ideal para espaços reduzidos, intimistas. Ela privilegia o entrosamento entre os músicos.

Muito explorada por compositores a partir do século 16, as canções costumam ser tocadas com cravo, viola da gamba, viela, violino e violoncelo barrocos, teorba, flauta-doce e instrumentos de percussão.

No evento, que segue até o próximo domingo (26), o público poderá não só conhecer essa sonoridade como vivenciar danças que, na época, movimentavam os grandes bailes da aristocracia.

Nesta segunda-feira (20), logo na abertura do festival, ocorrerá na casa de cultura Tim Lopes uma vivência de dança renascentista, com o professor Mário Orlando. A atividade permitirá que os presentes experimentem as coreografias do período. Entre as danças: pavanas, branles, gavottes e countrydances.

Já na terça (21), às 20h, será a vez do Museu Municipal receber um concerto de Música Renascentista, com o grupo de música antiga da UFF (Universidade Federal Fluminense).

Na quarta (22), às 18h, haverá uma vivência de dança barroca (minuet, sarabande e gigue, entre outras), na casa de cultura Clemente Gomes. O curso é voltado para bailarinos e atores. A atividade se repete na quinta (23), na casa de cultura Chico Triste.

No sábado (25), a igreja São Benedito abre suas portas para o lançamento do livro "Il Corago" (EdUSP), com texto anônimo do século 17 sobre a arte da encenação, e tradução de Ligiana Costa. A obra conta com ilustrações do artista plástico joseense George Gütlich. Haverá ainda uma exposição com suas gravuras. A partir das 11h.

Fechando o evento, no domingo, um concerto de música barroca, com o grupo Affetti Musicali (soprano Claudia Habermann e tenor Fábio Maciel) e a Orquestra de Câmara Barroca, promete emocionar os presentes na capela Sagrado Coração de Jesus, no parque Vicentina Aranha, às 18h. As atividades são gratuitas..