Um ambiente onde é possível vivenciar o processo criativo dos artistas. Essa é a ideia de "Mãos às obras", nova mostra que fica em cartaz no Sesi São José até o dia 7 de outubro.
Cartas de baralho, recortes de xerox, bonecos de plástico e bexigas estão disponíveis para os visitantes em nichos no centro da sala de exposições.
E, para inspirar, nas paredes estão obras produzidas com os mesmos materiais, dos artistas contemporâneos Georgia Kyriakakis, Heberth Sobral, Luiz Mauro e Reynaldo Candia.
O objetivo da curadora, a também artista plástica Marcela Tiboni, é criar um ambiente de aproximação com o público, tornando o espaço da exposição também um ateliê.
"A mostra é construída através dos encontro entre as mãos do artista - impulsionada pelo fazer, mover, mexer, tocar, construir ou desconstruir - e a matéria, e é esse encontro que damos o nome de processo criativo", explicou Marcela em material de divulgação do evento.
A escolha dos artistas não foi por acaso. Cada um deles desenvolve em suas obras um processo criativo sempre intimista e com a necessidade da manipulação manual dos objetos escolhidos na composição.
ARTE CONTEMPORÂNEA.
A baiana Georgia Kyriakakis trabalha a matéria e suas relações de peso, equilíbrio e temperatura, investigando os limites e a capacidade de cada material em esculturas ou nas instalações que cria. No Sesi, seu trabalho pode ser visto em dois vídeos, chamados de "Videoaulaobra". Em um deles, ela explora as formas de uma bexiga e a capacidade de armazenar o ar em um objeto, moldando-o a cada sopro.
Já Reynaldo Candia, de São Paulo, pesquisa as camadas criadas a partir do acúmulo de materiais banais, como carta de baralho sobrepostas, livros empilhados e folhas cortadas. Trabalhando com o volume criado - e muitos recortes - ele cria inusitadas composições. Em "Cavalinho", ele usa 343 cartas e as recorta.
Nas obras do goiano Luiz Mauro, o artista recria com nanquim e óleo sobre impressão o ateliê de Roy Lichtenstein, mas sem a preocupação de tornar-se um registro fotográfico fiel a realidade.
Por fim, Heberth Sobral, natural de Minas Gerais, recria cenas da história, seja de enciclopédias ou de jornais atuais - por vezes violenta - tendo como personagens bonecos de brinquedos como Playmobil.
Na exposição do Sesi, três obras chamam a atenção: "Quadrilha Presa", "Bope" e "Acidente na volta do feriadão". Para cada uma delas, ele pintou os bonecos à mão e recriou cenas cotidianas. O resultado é lúdico, uma vez que são brinquedos fotografados, mas cada obra carrega ainda o peso da realidade.
"Afinal o que é arte contemporânea? Onde podemos encontrar o artista produzido? Sua produção se dá apenas no ambiente do ateliê, como há décadas?", provoca a curadora.
Mais do que obras que permitem discussão, reflexão e proposição, a ideia da mostra é que o público valorize todo o aspecto processual dos trabalhos.
Crianças irão à loucura com a possibilidade de criar seus próprios trabalhos e fotografá-los. Adultos ficarão, no mínimo, impactados com as peças da exposição. Vale a pena.
SERVIÇO.
O Sesi fica na av. Cidade Jardim, 4.389, Bosque dos Eucaliptos. A entrada é gratuita..