Quase quatro anos após ser apontado como solução para os 'gargalos' do trânsito de São José dos Campos, o projeto do BRT (Transporte Rápido por Ônibus) está travado e sem previsão para ser retomado pelo município.
A obra de mobilidade urbana perdeu espaço para outra proposta do segmento.
O lançamento do edital para construção da Via Cambuí, corredor de ligação entre as regiões leste e sudeste da cidade, virou prioridade para o governo Felicio Ramuth (PSDB) neste segundo semestre. O projeto de R$ 140 milhões, financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), começa a sair do papel em setembro.
Oficialmente, o governo tucano afirma que o projeto do BRT "ainda está sendo revisado pela equipe de projetos de mobilidade". Nos bastidores, entretanto, a convicção é que ele tem chances reduzidas de ser concretizado em um curto espaço de tempo.
A obra toda está orçada em R$ 842 milhões --R$ 800 milhões da Caixa Econômica Federal e o restante em contrapartida do município.
ESTUDOS.
O ex-prefeito Carlinhos Almeida (PT) pagou R$ 22,9 milhões em dois estudos relacionados ao BRT. O primeiro, iniciado em 2015, foi desenvolvido pela Fusp (Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo) por R$ 12 milhões. O arquiteto Ruy Ohtake fez o projeto arquitetônico do BRT no município.
No ano passado, a gestão petista contratou a FAI (Fundação de Apoio Institucional), ligada à UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), para analisar a expansão em 11 quilômetros dos corredores nas regiões leste e sudeste. O valor acertado com a instituição foi R$ 10,9 milhões.
Ao assumir, Felicio iniciou uma revisão no projeto. Preliminarmente, a Secretaria de Mobilidade Urbana teria encontrado graves erros na proposta. A administração chegou, inclusive, a levantar a hipótese de contratar uma empresa para desenvolver um terceiro projeto de BRT.
A oposição critica um possível 'engavetamento' do novo modal. "Se isso acontecer é uma perda para a cidade. O BRT tem um valor muito grande e é impossível o município realizar sozinho. Também é importante preparar a cidade para que se algum dia o Estado fizer o sistema de BRT Metropolitano. A cidade precisará interligá-lo", afirmou o líder do PT, vereador Wagner Balieiro.
"Outro item importante é como fica o dinheiro já gasto e o custo do dinheiro disponível do financiamento? Se parar, vai ter que pagar isso.".