08 de julho de 2026
Viver

AS VÁRIAS FACES DE'UM MESMO' PESSOA

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 2 min

Definir o que é amor é, definitivamente, uma difícil tarefa. Para Alberto Caeiro, é sinônimo de companhia. É aquilo que sentimos por pessoas próximas a nós. Já para Álvaro de Campos, o nobre sentimento tem como símbolo uma caneta com tinta, que nos convida a escrever nossa história, do nosso modo, diante da folha em branco.

Caeiro e Campos são na verdade uma só Pessoa: Fernando. Aliás, Fernando Pessoa (1888 - 1935). Ambos - ainda que com personalidades distintas - viviam dentro do corpo daquele que é considerado o mais universal poeta português.

E é a vida dessa curiosa figura literária,que tinha dentro de si vários olhares sobre o mundo, que trata o livro "E se eu fosse outros?", escrito pelo taubateano Sidney Bretanha, ilustrado por Rogério Forti. Uma obra que carrega um desafio ousado: Fernando Pessoa para crianças.

PURA POESIA.

A paixão de Bretanha por Pessoa começou ainda na escola. Ator e dramaturgo, ele fez peças inspiradas na obra do poeta, até que, durante seu curso de Letras, na USP (Universidade de São Paulo), nas aulas de Literatura Infantil, se viu diante da provocação.

"Tive o 'aval' do meu professor, José Nicolau Gregorin, pesquisador de literatura infantil, autor do prefácio do livro. Foram dois anos entre ideia e produção", afirmou Bretanha. "O mais difícil foi descobrir, na linguagem das crianças, o que eu queria falar. Então optei por falar de amor, tema presente em todos os heterônimos de Pessoa".

Na trama, Fernandinho, garoto em idade escolar que chega em casa e pede ajuda da mãe para fazer um trabalho sobre o amor. Ao longo da obra, o personagem se coloca na pele de outras pessoas para descobrir como elas vivem o sentimento.

"Fernando Pessoa tinha mais de 80 heterônimos. Escolhi esses dois. Já é difícil explicar heteronomia para adultos, imagine para crianças. Foi a forma que encontrei de plantar nelas a sementinha da poesia", explicou o escritor, que criou sua própria editora para poder lançar a obra.

"O mercado editorial no país é complicado. Mas tive boa surpresa. O livro foi tão bem abraçado pelo público, que foi selecionado para o 'Leiturinha' (clube de assinaturas de literatura infantil). Eles encomendaram 1.500 livros, que foram distribuídos em março para os assinantes", comemorou Bretanha.

GÊNIO OU LOUCO?

Afinal, por quê Pessoa escrevia seus textos como se fosse outras pessoas? "Essa é a pergunta mais difícil de ser respondida. São várias as teorias. O consideram gênio, médium, louco... Mas, eu creio que ele se permitia enxergar a vida sob vários olhares", disse o autor.

O livro, de 48 páginas, é todo colorido e ilustrado, custa R$ 30 e está à venda na fanpage: www.facebook.com/eseeufosseoutros. Escolas e livrarias interessadas em palestras e eventos, também podem entrar em contato via rede social.

Em tempo, afinal o que diria o próprio Pessoa sobre o amor? "Talvez concordasse com Campos. 'Todas as cartas de amor são ridículas (...) Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas"..