10 de julho de 2026
Viver

Walcyr Carrasco estreia no teatro com musical em homenagem a Nossa Senhora

Por Da Redação@jornalovale |
| Tempo de leitura: 3 min
Santuário

Contam os antigos que um homem, de passagem por Aparecida, presenciando a fé de diversos romeiros que assistiam à missa resolveu entrar na igreja a cavalo. O intuito era claro: zombar dos fiéis. Mas o que ele não esperava era que as patas do animal ficassem presas em uma pedra na escadaria do templo religioso.

Há quem se recorde ainda da história do escravo Zacarias que, fugido de uma fazenda no Paraná, foi capturado no Vale do Paraíba. Quando ele estava sendo levado de volta, acorrentado, fez uma oração em frente a uma capela, em Aparecida. Rezou com tanta devoção que as argolas e correntes se arrebentaram, caindo no chão.

Esses são milagres presentes em "Aparecida - Um Musical", de Walcyr Carrasco. Com estreia agendada para março de 2019, no teatro Bradesco, o espetáculo promete uma surperprodução, com mais de 150 pessoas diretamente envolvidas, incluindo equipe técnica e produção, cerca de 30 atores, cantores e bailarinos e uma moderna tecnologia, que irá retratar a história de Nossa Senhora desde o encontro da imagem no rio Paraíba do Sul; as basílicas velha e nova; a quebra da imagem, em 1978; até o retorno dela após o restauro.

Produtora responsável pelo projeto, Maria Eugenia Malagodi amadureceu a ideia do musical a partir das homenagens aos 300 anos do encontro da imagem nas águas do rio.

"Quando começaram os movimentos das comemorações dos 300 anos, em 2015, eu, como produtora e consultora de leis de incentivo a cultura, pensei: 'Fazem musical de todo o mundo, porque a gente não conta essa história linda no palco do teatro?'".

Maria Eugênia então apresentou a ideia ao Santuário Nacional. Na época, dom Darci Nicioli (na ocasião Arcebispo de Aparecida e atualmente na Arquidiocese de Diamantina), não só autorizou a produção como a incentivou. "É um grande desafio porque eu não tenho o porte dos grandes produtores. Mas tudo com ela dá certo", disse Maria.

Assim, o espetáculo foi escritor por Carrasco e conta com direção e coregrafias de Fernanda Chamma e direção musical assinada por Carlos Bauzys.

O fio condutor do musical é a história de Caio e Clara, um jovem casal sem crença ou religião que reside na cidade de São Paulo do tempo presente. Na trama, eles vão embarcar em uma jornada de descobrimento espiritual na esperança de conseguir a cura de um câncer no cérebro de Caio. A doença pode, no mínimo, cegá-lo de maneira irreversível e interromper sua promissora e ambiciosa carreira de advogado.

"Para fazer a dinâmica do espetáculo iremos usar muita tecnologia com projeções, como projeção mapeada, efeitos de luz, tudo isso para fazer com que o espetáculo tenha um encantamento e consiga passar para a plateia toda a magia e a força dessa história tão importante", explicou o diretor de vídeo-Cenário, Richard Luiz, na página oficial do Santuário Nacional.

Estreia.

Essa é a primeira vez que Carrasco encara o desafio de fazer um teatro musical. "O que me inspirou foi Nossa Senhora Aparecida. Sou devoto, acredito, faço os pedidos. E quando surgiu o convite para escrever o musical, fiquei na dúvida sobre como eu 'pegaria' o musical. Então encontrei um casal que, por mero acaso, sentou comigo no avião e o rapaz contou que havia tido uma intervenção de Nossa Senhora Aparecida muito atual. Ou seja, não há só os milagres do passado, a santa continua nos abençoando", afirmou ele durante visita da TV Aparecida aos bastidores da produção.

Carrasco é o autor da novela "A Padroeira", exibida pela Globo, em 2001, e pela própria TV Aparecida. "A novela era centrada no início da devoção. Aqui, eu posso contar a história inteira. O palco permite essa transição rápida de épocas. E o que eu conto - que é muito forte e não apareceu na trama da novela - foi quando a santa sofreu um atentado e como ela foi salva, reconstituída e devolvida aos seus fiéis."

Por ora, o musical está na fase das audições. Dos 700 inscritos, 250 atores foram pré-selecionados..