Apreciado pelo colorido de seu trabalho, Clodomiro Amazonas (1883-1953) expôs em sua primeira aparição pública, em 1912, 35 obras, sendo 24 paisagens, as demais, naturezas mortas e figuras. Na ocasião, ele foi apresentado como artista amador, já que nunca havia feito aulas regulares de pintura.
Nascido em Taubaté, em 1883, filho do nacionalista Antônio Alves Monteiro, o artista começou a mexer com tintas aos oito anos de idade. Aos 16 anos já restaurava telas e afrescos do convento Santa Clara, na cidade.
Aos 21, se apaixonou por uma moça, casou-se (contra a vontade da família) e mudou-se para São Paulo, onde conseguiu emprego em um banco, depois em repartições públicas.
Deixou o emprego, em 1923, anos depois para dedicar-se à sua arte. Criou oito filhos, não sem dificuldades.
Na cena artística, passou a ser visto e reconhecido pelos colegas e críticos. Era considerado o "verdadeiro pintor brasileiro, que sente a sua terra". Sem preocupação com detalhes, tinha traços largos.
"Quando encontro um trecho da natureza, que por si é um feito, não reproduzo materialmente, mas sim através do meu temperamento, sentindo e vendo, não como ele é, mas sim como eu desejaria vê-lo nessa mesma natureza, sem me preocupar com a maneira como os outros o veem e outros o pintam [...]", dizia.
Em 1929, o artista expôs quadros retratando São José e Tremembé, entre outras cidades pelas quais passou. Foi chamado pela imprensa de pintor do luar, tema, na época, do agrado dos colecionadores.
Como não tinha conseguido uma bolsa para estudar na Europa, como boa parte de seus colegas, acabou se convencendo de que fora isso até um bem, porque assim não se deixou influenciar pela pintura "de fora".
Aliás, não aceitava a arte moderna. Mas mantinha contato com intelectuais da época, como Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo e Monteiro Lobato. Este último, aliás, simpatizante das artes plásticas, fez várias aquarelas no ateliê de Amazonas.
O artista expôs seus trabalhos em São Paulo, Taubaté e Ubatuba em 1953, mesmo ano em que faleceu, em São Paulo, aos 70 anos.
Memórias.
Amazonas é considerado, junto de Georgina de Albuquerque, Francisco Leopoldo e Silva e o próprio Lobato, expoentes de Taubaté entre 1879 e 1885. Seus trabalhos estão na mostra "Artistas de Taubaté", em cartaz no Museu de Arte Sacra, de São Paulo.
Sob a curadoria de Ruth Sprung Tarasantchi, a exposição é uma realização do museu em parceria com a Sociarte (Associação dos Amigos da Arte de São Paulo).
O Museu de Arte Sacra fica na av. Tiradentes, 676, na estação da Luz. No sábado, a entrada é gratuita. Nos demais dias o ingressos custa R$6..