10 de julho de 2026
Viver

André Catoto, de São José, co-dirige animação pré-selecionada ao Oscar

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 2 min
Premiada. Co-direção com inspiração valeparaibana

Se depender da torcida valeparaibana, "Tito e os Pássaros" trará para o Brasil em 2019 o Oscar de Melhor Animação. O desenho, único nacional na lista dos 25 filmes pré-indicados à premiação máxima do cinema, conta com Gabriel Bittar, Gustavo Steinberg e André Catoto, este último de São José dos Campos.

Os selecionados foram divulgados na última quarta-feira (24). "É uma honra. Claro que a gente espera o melhor. Mas só de estarmos em pé de igualdade com todos as outras animações indicadas já torna esse momento muito importante", afirmou Catoto, que mantém um estúdio de animação em São Paulo.

"Tito e os Pássaros" tem como tema principal a cultura do medo. No longa, o protagonista é um menino de dez anos cujo pai, o cientista Rufus, se dedica a construir uma máquina que lhe permitirá entender a linguagem dos pássaros. Mas, após um acidente, o pesquisador desaparece.

Ao mesmo tempo, o mundo parece estar sendo contaminado pela epidemia do medo, surto que faz com que a sociedade adoeça e as pessoas se transformem em pedra. Após sua mãe ser contagiada, Tito passa a procurar uma solução para salvar a todos.

Até que ele vê, então, nos pássaros uma possibilidade de ajuda e, conta com os amigos para dar continuidade ao trabalho do pai.

"Criamos o longa bem antes das eleições e percebemos que essa cultura do medo é algo atual não só aqui no país", disse Catoto. "No filme, não falamos de São Paulo especificamente, mas de toda cidade que se identifique com o cenário. Há ainda a mídia, que também alimenta esse medo por meio do sensacionalismo, e o remédio, que aparece como uma solução fácil para tudo isso".

bastidores.

A animação levou oito anos para ser feita, entre argumento captação, concepção e pré e pós-produção. Em algumas etapas, participavam do processo cinco profissionais, em outras, chegavam a 120.

Sucesso de crítica, o longa tem sido muito elogiado por sua estética. "Nos aproximamos do expressionismo alemão. Encontramos nesse movimento as distorções que precisávamos para dar a dramaticidade necessária. Então, o desenho principal foi vetorizado, alguns cenários construímos no Photoshop, mas utilizamos ainda pinturas à óleo feita sobre um vidro", revelou o ilustrador e cineasta.

"Percebi que acertamos no tom, quando o filme foi exibido na Alemanha e todos os presentes o entenderam perfeitamente", afirmou.

Os cinco finalistas do Oscar serão anunciados em 24 de janeiro. A cerimônia ocorrerá em 24 de fevereiro..