Nesta terça-feira (28), moradores da RMVale terão a oportunidade de assistir gratuitamente ao filme "Cora Coralina - Todas as Vidas" (2017), longa que concorre ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, inspirado no livro "Cora Coralina - Raízes de Aninha" (Ideias & Letra), escrito pela biógrafa joseense Rita Elisa Seda em parceria com Clóvis Carvalho Britto.
O filme, que retrata a vida daquela que é considerada uma das principais escritoras da literatura brasileira, será exibido no Parque Vicentina Aranha, às 19h, dentro do Centro de Formação Profissional Artes e Ofícios.
Antes da exibição, haverá uma Roda de Conversa sobre o filme com o tema "Mulher Terra - A fecundidade na obra de Cora Coralina", que abordará a força feminina dentro da obra da autora. Estarão presentes Rita Elisa e o editor e empreendedor cultural Cristóvão Cursino. A mediação será realizada pela escritora Helen Coppi. Haverá ainda intervenções poéticas com o grupo literário Litheratrupe.
"Vamos falar sobre a obra, a pesquisa e porque o livro tornou-se filme. Queremos também traçar um paralelo entre a biografia e o Vale do Paraíba e analisar de que forma Cora se insere na cultura paulista", afirmou Rita.
Ainda segundo ela, dessa vez Clóvis não poderá estar presente. "Mas estão todos felizes com a oportunidade de exibir o longa em São José. Afinal, foi nesta cidade que a família veio para dar os últimos ajustes na obra, foi onde eu e Clóvis escrevemos o livro... Então nada mais justo que haja aqui uma sessão aberta a todos", disse a autora.
Desmistificando.
Neste mês, Cora Coralina completaria 120 anos de idade. Batizada como Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, a escritora nasceu em Goiás em 1889.
O principal mérito do livro é apresentar uma Cora diferente daquela conhecida pelos amantes da literatura: uma senhora que escrevia poemas à margem do rio Vermelho.
Esse, aliás, foi o primeiro paradigma que caiu por terra, a da poetiza que começou a escrever na velhice. "Encontramos poemas e artigos dela em revistas da época, em documentos guardados. Tem textos de quando ela tinha 16 anos", contou Rita a OVALE, na ocasião da estreia do filme.
A escritora realizou sua pesquisa no Estado de São Paulo, enquanto Clóvis ficou com Goiás. "Cora era uma mulher muito à frente de seu tempo", continuou a escritora.
No entanto, a escritora só foi revelada ao país depois de uma famosa crônica de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1980, no "Jornal do Brasil". Na ocasião, Cora já estava com 91 anos.
Ela morreu quase cinco anos depois sem imaginar, por exemplo, que teria um fã clube de 217 mil pessoas, figurando entre os escritores brasileiros mais populares no Facebook.
Todas as vidas.
Em tempo, o longa dirigido por Renato Barbieri, é um documentário poético que mistura realidade e ficção.
Três atrizes se revezam no papel principal: Camila Salgado, faz o papel de Cora aos 5 anos; Maju de Souza, é a poetiza aos 14 anos; e Camila Márdila, aos 21.
Há ainda uma personagem mais "etérea" protagonizada por Teresa Seiblitz.
O parque fica na r. eng. Prudente Meireles de Morais, 302, Vila Adyana..