11 de julho de 2026
Viver

Novo espaço cultural em São José mistura arqueologia, história, arte e cafés especiais

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 3 min
Legemda. legenda Leg

Desvendar um Vale do Paraíba que poucas pessoas conhecem é a missão do novo espaço que São José ganhará na noite desta terça-feira (19): Origem Cultural, localizado no bairro Vila Ema.

O local de exposições - entre outras atividades -, é fruto de um antigo desejo do arqueólogo Wagner Gomes Bornal de informar, difundir e democratizar o conhecimento adquirido ao longo de anos de pesquisa.

Bornal, aliás, nome da arqueologia nacional, é responsável pela descoberta de importantes sítios na região, como São Francisco, em São Sebastião; Altos de São José, em São José dos Campos; e Tamoios, em Paraibuna. Aprender com o passado é a defesa que ancora o seu projeto de educação patrimonial.

"Trabalho há mais de 30 anos na área arqueológica. Sou responsável pela empresa Origem Arqueologia Patrimônio Cultural e Natural Ltda e, ao longo desses anos, adquirimos muitas informações sobre o patrimônio cultural, principalmente do Vale do Paraíba", contou.

"A forma que tenho de devolver todo esse conhecimento para a sociedade é por meio da educação. E são vários os mecanismos possíveis: jogos, simulações, cartilhas, palestras, workshops e oficinas de arte", afirmou ele, que usa a arte como uma forma de mostrar às populações que moram perto de sítios arqueológicos como reconhecer um patrimônio.

Em locais, por exemplo, de muitos grafismos, o pesquisador insere na comunidade oficinas de xilogravura. O mesmo ocorre com cerâmica figurativa e aquarela, entre outras técnicas.

"Há uma lacuna aqui. A maior parte das pessoas não se envolvem com a produção artística por falta de recursos próprios ou por crer que não tem capacidade técnica. Então criamos um espaço para que profissionais pudessem difundir seu conhecimento por intermédio de exposições, pequenos cursos e oficinas", disse Bornal.

Programação.

A partir da quarta-feira (20), com a casa já aberta a todos, o público poderá conferir a exposição "A Grande Maloca", que dará início às atividades da casa. Na mostra, um conjunto de máscaras e objetos de cerâmica que representam etnias indígenas brasileiras.

As peças foram produzidas pelo grupo Ubuntu, que reúne ceramistas de Caraguatatuba. E, com sua modelagem cuidadosa e o tipo de material usado nas produções, os artistas pretendem provocar no público a sensação de estar em contato direto com a cultura indígena.

As máscaras permitirão ainda aos presentes conhecerem características físicas de grupos indígenas, inclusive daqueles que habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses. Entre eles, Botocudos, Yanomami e Pataxó.

A mostra fica em cartaz até o dia 31 de julho. "Estamos com a agenda de exposições lotada até junho de 2019. Passamos a trabalhar com a agenda de 2020. São vários os artistas que têm nos procurado", disse. "Mas esta não é uma galeria de arte, de venda de quadro. Não há o quadro pelo quadro, em toda exposição trabalhamos com uma temática, e a partir dela teremos não só a exposição, mas oficinas e a produção de um documentário".

A entrada é gratuita. A proposta é que o espaço se banque a partir da venda de produtos de sua cafeteria interna, Café Cultural, especializada em grãos especiais.

A casa fica na r. Jorge Barbosa Moreira, 58, Vila Ema.Informações: www.facebook.com/OrigemCultural..