09 de julho de 2026
Viver

Poeta Moraes e Zenilda Lua se encontram para peleja poética

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 3 min

De um lado ele, Poeta Moraes, a acidez em forma de gente. Verborrágico, visceral, apto a apontar falhas, enfiar dedos em antigas feridas, questionar em poucas e precisas palavras.

Do outro lado ela, Zenilda Lua, a paz. Fala meiga, tranquila, risos sinceros, lágrima de felicidade, a personificação do amor.

Quem gosta de "briga" boa pode comemorar: o duelo já está marcado. Será nesta sexta-feira (15), às 19h30, no Vicentina Café & Design (r. Engenheiro Prudente de Moraes, 277, Vila Adyana, em São José - em frente ao parque Vicentina Aranha).

Socos e pontapés? Nah! Vai ser pior. A promessa é que o público presente tome alguns daqueles "sacodes" lúdicos que às vezes dói na boca do estômago, no meio do peito, no fundo da alma. Aliás, a reação das pessoas em pelejas anteriores tem sido das mais adversas: de choros a risos. Fato é que momentos de tensão/diversão estão garantidos.

"É uma peleja poética. Promovemos um verdadeiro embate poético. O nome, sarau 'Acre-doce', é uma licença poética, claro. O termo correto é agridoce. No embate, Zenilda fica com a parte doce e eu fico com a azeda", contou o Moraes, professor reconhecido pelos seus mais de 30 anos de panfletagem - papel que entrega gratuitamente ao público com seus poemas.

Ainda segundo ele, o público, durante a "batalha", é levado a refletir com os protagonistas sobre os paradoxos do mundo contemporâneo. Entre os temas estão angústia, solidão, depressão, colapso ambiental, questões existenciais e, claro, o amor.

"Queremos mostrar às pessoas que é possível falarmos de problemas e pensarmos também em soluções com a poesia. Acreditamos na arte como uma forma de equacionar as nossas crises e quebrar barreiras impostas pela sociedade de consumo", disse o poeta.

Difusão.

Além dos poemas de ambos autores, estão no roteiro trechos de obras de outros escritores da região.

"Temos também o objetivo de difundir a poesia valeparaibana. Nós somos os protagonistas, mas nossos pares estarão conosco na peleja", ressaltou Zenilda, autora do recém-lançado "Quando chorei no ombro do meu amor" (2017), entre outras obras literárias.

"E haverá, claro, os escritores clássicos, como Vinicius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade, tanto em poemas líricos, quanto nos cáusticos", continuou ela.

embate.

Com seis anos de existência, o projeto "Acre-doce" já foi apresentado em escolas, livrarias, cafés e bibliotecas da cidade. "Ele nasceu em meio a um sarau na Literacia (livraria joseense). Então eu e Zenilda começamos a retrucar um ao outro e ficou tão legal o formato que resolvemos montar um experimento para apresentar por aí", contou Moraes.

Cada apresentação é única. "Ele nunca segue o roteiro, é uma agonia!", ri Zenilda. "Ela é mais disciplinada do que eu", confessa Moraes. "Mas a proposta é essa: ela me tenta convencer a incorporar sua doçura, e eu tento mostrar a ela que ela está criando um mar de flores onde não existe", diverte-se ele.

Spoiler.

No final o amor vence? "Claro!", cravou Zenilda diante de um Poeta Moraes contrariado. "Ele vem com toda a sua nervosia assim, mas no final ele se amolece... E vira tudo uma grande brincadeira".

Então ele dá o braço a torcer: "É sempre assim".

A entrada é gratuita..