08 de julho de 2026
Viver

Um universo em miniatura

Por Paula Maria Prado |
| Tempo de leitura: 2 min
Exposicao Meu Mundo e de Papel da artista plastica Eunice Coppi no Museu do Folclore-foto;Rogerio Marques

Na congada, no bloco carnavalesco e na roda de capoeira, cada um dos bonequinhos que compõem os conjuntos criados por Eunice Coppi tem uma alma.

Inspirados em pessoas conhecidas ou não da artesã, os personagens criados com a técnica de empapelamento vivem em sua mente. Observadora, Eunice registra com sua memória "fotográfica" aquilo que caracteriza cada individuo que cruza sua história de vida.

"Eu não consigo fazer um boneco idêntico a você. Mas todo o mundo tem uma característica, aquilo que lhe torna você. E é isso que eu tento captar e colocar nas minhas peças", contou Eunice, que aprendeu a técnica artesanal há muitos anos no projeto Piraquara, da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), onde ajudava na confecção dos bonecões do bloco carnavalesco.

"Comecei no artesanato trabalhando com o barro e palha de milho. Mas desde criança, enquanto meus amigos queriam fazer panelinhas, eu queria mesmo era fazer homenzinhos. Criar um bloco!", diverte-se. Hoje, ela contabiliza mais de 200 bonecos. "Ah não faço ideia quanto tempo levei para fazer cada um. É um prazer para mim, então vou produzindo", conta.

A artesã, natural de Sabará (MG), mora em São José há 40 anos. É casada e tem três filhos. "Não posso dizer que houve um susto quando me deparei com a quantidade de bonecos que temos em casa porque é uma coleção que foi crescendo aos poucos", contou o marido, Geraldo Coppi, seu principal incentivador.

E é esse trabalho que Eunice traz ao Museu do Folclore, de São José, na exposição "Meu mundo é de papel", que está inserida na programação da 15ª Semana de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus, em celebração ao Dia Internacional de Museus (18 de maio).

"As figuras de Eunice são movimento, expressão, coloridas e repletas de detalhes curiosos que atraem o nosso olhar", afirmou em nota a museóloga Ana Silvia Bloise, responsável pela curadoria da exposição. "Conhecer um pouco do seu trabalho por meio dessa exposição será um privilégio para todos nós", destacou. Mostra segue até o final de julho..