Laerte Coutinho é a "cereja do bolo" da Flim 2017 (Festa Literomusical). OVALE teve acesso com exclusividade a programação - que deve ser divulgada na íntegra nesse final de semana -, que conta ainda com pérolas da literatura como Ignácio de Loyola Brandão, Andrea Del Fuego e Alice Ruiz.
O evento acontece entre os dias 15 e 17 de setembro, no parque Vicentina Aranha, em São José. A curadoria dessa vez ficou a cargo com Marcelino Freire, autor dos livros "Contos Negreiros" (Record), prêmio Jabuti 2006; "Angu de Sangue" (Ateliê Editorial) e "Nossos Ossos" (Record), com o qual ganhou o prêmio Machado de Assis 2014.
Até então o evento contava com a curadoria do escritor Alberto Martins. "Fizemos a troca para oxigenar o evento com novas ideias. E Marcelino nos presenteou com a sua visão: de que não deve haver preconceito algum em relação a literatura. E a partir daí ele montou uma programação para crianças e adultos com uma escolha muito consciente de cada elemento", afirmou Patricia Ioco, gestora de projetos culturais da AFAC (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura), realizadora da festa.
INOVAÇÃO.
A quarta edição da Flim traz algumas novidades. Entre elas, a figura do Estudante Anfitrião. "Serão sete mesas e, em cada uma delas teremos um aluno (de escola ou universidade, com idade entre 15 e 22 anos), que fará a abertura com uma leitura indicada por Freire", explicou.
Haverá ainda espaços com coletivos da cidade, lançamento de livros de autores regionais e a Mesa de Leitores. Nesta, dois leitores - que não viveram a fase da Ditadura Militar no país - foram convidados a lerem o livro "Zero", de Loyola Brandão, que trata sobre o tema e cuja primeira edição comemora 35 anos. O autor será sabatinado pelos participantes no debate "Transmissão de Conhecimento", às 15h do sábado (16).
Laerte Coutinho estará na mesa "Transformações", no mesmo dia, às 18h, com a escritora Ana Maria Gonçalves, sobre como a arte transforma as nossas vidas.
TRANSLINGUAGENS.
O conceito desse ano celebra as leituras múltiplas. A Flim "já possui esta filosofia de misturar filosofias. Conectar as artes. Não deixar que a literatura fique só no papel. Que ela ultrapasse a página. E saia para outras frentes de expressão. E de batalha", brada Freire em seu texto de apresentação do evento.
"O que a Flim 2017 está fazendo é reforçar essa linha. É adentrar ainda mais as entrelinhas. Cruzar os parágrafos. Atingir outros pontos. Ir além, em diferentes margens e cantos", continua.
"Acreditamos que um festival literário precisa oxigenar-se para continuar respirando. Em tempos de ares tão confusos, não é pouco o que desejamos. Irmanados, resistimos. Persistimos, existimos todos juntos. Nós que, não importa de qual arte, somos sobretudo leitores, agitadores de um mesmo mundo"..