Peças sem unidade formal, com temas atuais, por vezes espinhosos, diálogos enxutos, precisos, áridos, quase ausência de Globais... A 32ª edição do Festivale (Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba), que encerrou no último domingo, fez uma aposta arriscada, mas não menos interessante: trazer o teatro contemporâneo para os palcos joseenses. Aliás, para os vários palcos: teatros, casas de cultura e ruas...
Foram ao todo 30 apresentações com entrada solidária (alimentos não perecíveis a serem doados ao Fundo Social da Solidariedade). Na escolha do curador André Ravasco - conhecido na cena artística da cidade por seus trabalhos no Teatro da Rua Eliza e pela terceira vez a frente do evento -, peças que dialogassem com a cidade e seus moradores, inclusive aptas a colocar o dedo em feridas.
Destaque para o monólogo dramático "Processo de Conscerto do Desejo", de Matheus Nachtergaele (único ator de grande apelo junto ao público), que levou um "sem número" de pessoas na entrada do Teatro Municipal; "Esperando Godot" (foto), da Cia. Garagem 21, de São Paulo; no Teatro do Sesi; e "Jogos Cortazianos", do grupo Matula Teatro, de Campinas.
Além de, claro, produções regionais, como "Moranduba", da Cia. Titerritório; "Sonhos Roubados", da Cia. Teatro da Cidade, ambas de São José dos Campos; e "Urubus no Ar", da Cia. Quase Cinema, de Taubaté.
"A heterogeneidade é a força motriz, presente, nas ações formativas, intervenções, temas e linguagens de cada espetáculo (...) Abarcar esse sem número de possibilidades e abraçar essa liquidez que é o tempo atual é, sem dúvida, desafiador, um risco que pode nos manter estáticos ou nos lançar a outras perspectivas", escreveu Ravasco no texto que apresentou sua proposta ao público.
De fato um risco? "Era uma proposta arriscada sim. Foram seis dias com grande diversidade de apresentações e outras atividades dentro do tema proposto, com uma presença de público que superou nossas expectativas, o que demonstra que a cidade está, sim, disposta e receptiva à inovação também no campo das artes", afirmou Agenor Carvalho, diretor cultural da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), realizadora do evento.
FUTURO.
A descentralização nas apresentações iniciada em outrora se manteve nesta edição e deve permanecer nas próximas.
"Essa é uma das nossas estratégias para quebrar barreiras. Levar o nosso trabalho em diferente lugares é fundamental, porém, levar a população aos espaços culturais como o Teatro Municipal é igualmente importante. As pessoas precisam ir ao teatro, se apropriar dele e se sentirem parte disso", continuou Carvalho.
Para a edição do Festivale 2018, assim como o Festidança, a ideia é que o evento conte com a participação da iniciativa privada.
"Queremos que o festival cresça e se desenvolva a cada edição. E para isso, o estabelecimento de parcerias com outras instituições da cidade e com a iniciativa privada, bem como o constante diálogo com a classe artística são essenciais", adianta o diretor.
CRÍTICAS.
As críticas das peças apresentadas no festival - por Simone Carleto e Rodrigo Morais Leite - estão disponíveis no site de OVALE (www.ovale.com.br)..