Cantora, vedete, atriz, modelo... De todas as profissões que exerceu, Rogéria queria ser reconhecida apenas como artista. Internada desde o início de agosto por infecção urinária, Rogéria morreu, aos 74 anos, na noite da segunda-feira (4), vítima de um choque séptico.
A artista já havia sido internada em julho, e seu estado de saúde piorou, evoluiu para um quadro de convulsão e ela chegou a respirar com a ajuda de aparelhos.
Nascida Astolfo Barroso Pinto, Rogéria era a mais antiga transformista em atividade no Brasil, ao lado de travestis pioneiras, como Jane di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Brigitte de Búzios e Marquesa.
Ainda na adolescência, homossexual assumido, Astolfo virou transformista e começou a trabalhar como maquiadora - com o nome masculino - na extinta TV Rio. O nome Rogéria surgiu em 1964, quando venceu um concurso de fantasias no Carnaval daquele ano.
Convivendo com atores, ela se sentiu estimulada a interpretar e estreou nos palcos no mesmo ano, em um show de travestis na galeria Alaska.
Atuou em shows, peças teatrais e programas de televisão, muitas vezes como jurada. Também participou de 11 filmes brasileiros e nas novelas "Tieta" (1989), "Paraíso Tropical" (2007) e "A Força do Querer" (2017).
A participação mais recente na tela grande ocorreu sob direção da atriz e cineasta Leandra Leal, no filme "Divinas divas", de 2016, inspirado em um espetáculo encenado por Rogéria ao lado de Camille K e transformistas, desde 2004.
O corpo da atriz, velado no teatro João Caetano, será enterrado nesta quarta-feira (6) no município de Cantagalo, onde ela nasceu..