10 de julho de 2026
Viver

Influenciadora digital, Magá Moura participa de bate-papo sobre moda em São José

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 3 min
Pé na estrada. lnspirada em sua mãe, Magá costuma dizer que é uma rocha. O que lhe deixa irritada? 'Quando me deparo com um 'boy' babaca', ri. 'Os demais problemas encaro com plenitude. Sou muito grata à vida'

Madeixas trançadas, multicoloridas, perucas, penteados psicodélicos e volumosos. Maquiagem neon, boca vermelha, "olhão". Maxibrinco, aliás, tudo maxi. Sua estética fica num espaço localizado entre o escandalosamente chocante e a completa paz de quem tem por hábito celebrar por meio da moda a liberdade de escolha, o empoderamento feminino e a negritude. Sem julgamentos.

Basta? "Jamais! Não podemos pensar só na estética. Temos de ter conhecimento. O corpo fala. E é importante que quando as pessoas te olhem, você abra a boca e tombe a todos com o seu conteúdo", cravou Margareth dos Santos Moura, ou simplesmente Magá Moura.

Influenciadora digital, reconhecida pelo público e por grandes marcas (a.k.a. Nike e Aperol), Magá é uma das representantes da chamada Geração Tombamento - uma referência à gíria "tombar", que significa arrasar.

São jovens, em sua maioria negros, que, por meio de experimentação estética (inspirados no movimento afrofuturista dos anos 1960) e da transgressão do "comum", exercem sua militância resistindo aos padrões e preconceitos sociais.

"Eu não cresci em uma família militante. Todo o meu processo de empoderamento aconteceu quando meu cabelo caiu por causa de tratamentos químicos. Eu entrei em desespero, mas fui obrigada a parar de usar esses produtos", contou a blogueira que fazia permanente porque achava os cachos conquistados no tratamento mais bonitos do que o cabelo afro que imaginava ter.

Fato é que para disfarçar as falhas que ficaram na cabeça, Magá tinha duas opções: raspar ou fazer tranças. Decidiu-se pela segunda.

"Meu cabelo foi, aos poucos, crescendo, e fui 'descobrindo' então como ele realmente era. Vi que eu passava fortes químicas para deixá-lo como ele era naturalmente. Veio daí o meu primeiro reconhecimento como mulher negra", disse.

"Tempos depois, vi uma foto da cantora Rihanna com o cabelo rosa. Achei lindo e resolvi incorporar ao meu visual. Ali aconteceu uma nova mudança e eu já me senti esteticamente empoderada", continuou.

As cores tomaram o guarda-roupa e a vida da influenciadora. "Hoje as pessoas me veem como uma pessoa que não liga para o que dizem, que coloca o que lhe deixa confiante e arrasa. E eu fico feliz de passar essa imagem. Quero inspirar as gerações a quebrar paradigmas", afirmou Magá.

"Eu uso, sim, a moda a meu favor, de uma pessoa que descobriu a sua negritude. Mas tenho como função empoderar outras meninas, fazê-las amá-las como são. E, para mim, moda é isso: mais do que acompanhar tendências, devemos usá-la como ferramenta de expressão da uma personalidade", ressaltou.

EM SÃO JOSÉ.

Magá é a convidada desta quarta-feira (23), às 19h, do "Por Dentro da Moda", no Senac São José. Ela ministrará a palestra "Moda, Redes Sociais e Negócios", onde ensinará como usar a moda a favor da identidade de cada indivíduo e transformá-la em negócio.

Além de influenciadora, Magá é formada em relações públicas e atua há 10 anos em multinacionais, com foco em planejamento estratégico, assessoria de imprensa, eventos, pesquisa e mídia on-line e off-line.

O Senac fica na r. Saigiro Nakamura, 400, Vila Industrial. A entrada é gratuita e as inscrições devem ser feitas no portal: acesse o Portal Senac: www.sp.senac.br/saojosedoscampos..