Em mais de seis meses de pandemia por conta do novo coronavírus, muita coisa mudou no comportamento da sociedade. E isso inclui também os relacionamentos entre casais.
Embora para alguns o confinamento deste período tenha servido para aproximar ainda mais algumas pessoas, serviu também para colocar um ponto final em muitas relações que já não estavam bem.
E, para aqueles que optaram pela ruptura e o início de uma nova realidade, a pergunta que fica é: como recomeçar?
Para especialistas em comportamento e relacionamentos, é possível refazer a vida de uma maneira saudável.
Para a psicóloga e sexóloga Cris Borges, de São José dos Campos, ter uma relação saudável sem o fantasma do passado é uma escolha que é a mesma de não ter ansiedade do futuro, vivendo o presente.
"E a partir do momento que você deu um passo e rompeu um relação, é trabalhar sua nova vida, sua nova escolha, plantando hoje. A vida é o momento presente", disse.
"O que eu faço com o agora, trabalhando os sintomas que me fizeram não estar na relação passada? A partir do momento que você honra a relação anterior, fazendo do seu novo começo com qualquer outra pessoa ou até com você, uma matriz mais saudável do que a relação anterior, você consegue estar bem, tranquilo e vai sim levar da relação passada a saudade do que foi bom e a certeza de não querer repetir o que foi patológico e disfuncional", explica Cris.
Porém, apesar disso, ela também ressalta que ainda é difícil prever como será o mundo pós-pandemia.
"O recomeço pós-pandemia não sabemos nem se vai acontecer porque não sabemos como vai ser o mundo pós-Covid-19. Essa assepcia de lavar as mãos, máscaras, coloca a gente com um escudo físico e, consequentemente, emocional", explica. "Recomeçar isso acho que é reavaliar o que é de verdade, o que realmente quero dos relacionamentos, o que é pilar e fundação".
"Quais são esses pilares? Respeitar e fazer respeitar, estar em relacionamentos verdadeiramente, cumprir o pacto daquele relacionamento, se é aberto, se só sai com aquela pessoa e olhar de forma honesta para a relação, porque as vezes a gente vai empurrando com a barriga e quando chega numa hora de crise, isso vem à tona", ressalta.
CONSTRUÇÃO.
A também psicóloga Simone Januário, de São José, ressalta que desde que nascemos, iniciamos nossa vida de relações, já é uma construção.
"Quanto mais profunda é a relação, mais impressões ela deixará na pessoa. Nem sempre isso está relacionado com paixões tórridas, que são intensas mas que podem não alcançar uma profundidade, justamente pela intensidade e rapidez", diz.
"É preciso refletir sobre o padrão de relacionamento construído para evitar repetições sofridas. As relações amorosas ainda sofrem influência da nossa vida social, sexo e relacionamentos são uma forma de produção e indicador de sucesso. Manter-se distanciado desse tipo de pressão e pressa é fundamental para evitar mazelas".
"Os fantasmas existem dentro de nós, são construídos por pedaços de nós mesmos e dos outros, que insistimos em manter no comando. Para enterrar definitivamente esses fantasmas é preciso elaborar o luto, as perdas de expectativas e aos poucos sonhar novos sonhos".
Outro ponto importante citado pela especialista é o recomeço. "Apesar da crise, há a possibilidade de 'resetar' o relacionamento. Para isso, é preciso se responsabilizar pelas próprias escolhas, ouvir com acolhimento as necessidades da parceria, expor suas necessidades e negociar o que ambos podem tolerar", disse.
Para isso, segundo ela, o casal pode precisar de ajuda, quando entra em cena a terapia.
"Se a decisão foi pelo rompimento, é hora de juntar os cacos. Não importa se a pessoa terminou ou 'foi terminada'. É importantíssimo elaborar o luto do relacionamento que não deu certo, rever o tipo de escolha e não emendar um relacionamento em outro"..