Para 53% das mulheres, todo o estresse e preocupação nos últimos meses tem a ver com o novo coronavírus. Entre os homens, apenas 37% consideram que os problemas emocionais têm ligação com a pandemia.
Os dados são da pesquisa realizada pela ONG Family Foundation, dos Estados Unidos, que mostra danos maiores a elas do que a eles durante este período que o mundo tem vivido.
Para especialistas da região, o gênero pode ser influenciado de forma diferente. "Os hormônios femininos estão relacionados tanto com a ansiedade quanto com a depressão. O estrogênio [hormônio responsável pelo desenvolvimento de características femininas], por exemplo, atua no sistema nervoso central. E, durante a TPM, há uma circulação maior desses hormônios, o que acaba sendo um gatilho para os transtornos. Além disso, mulheres são mais sensíveis aos baixos níveis de hormônios que organizam a resposta do cérebro ao estresse", disse a neurocoach Stella Vilella, de Caçapava.
Segundo ela, a ansiedade tem feito parte da vida de todos os seres humanos, principalmente como a situação de pandemia em que vivemos. "O que difere de uma pessoa para outra é o grau de ansiedade e como afeta no dia a dia", ressalta.
Stella explica que a testosterona, hormônio que os homens têm em quantidades superiores em relação às mulheres, é um importante controlador da ansiedade. "Gatilhos para a ansiedade são muito pessoais. Mas as diversas funções e carga extra que a mulher desempenha são fatores a se considerar", disse a especialista.
"Elas estão sempre sobre pressão em casa, no trabalho, no dia a dia. As inúmeras funções que as mulheres desempenham como mães, esposas, donas de casa fazem com que essa ansiedade aumente trazendo algumas consequências não desejadas. Como, por exemplo, descontar na comida", ressalta.
Segundo ela, a ansiedade serve como alerta e, inicialmente, não deve ser vista como uma doença. "Ela vem como um movimento da vida, faz com que a gente crie metas, se projete, caso não tenha isso, pode estar com depressão".
CULTURA.
Para a psicóloga Andréa Leão, de São José dos Campos, são vários os motivos que levam as mulheres a ficarem mais ansiosas do que os homens. "Entre eles a questão cultural, de atividades que ficam aos cuidados da mulher: cuidados com a casa, com os filhos, com a família, independente dela trabalhar, ou não", disse.
"Neste momento de pandemia, quando a maioria está em home office ou carga reduzida, crianças sem ir à escola, estando tudo em um mesmo espaço, que é o espaço doméstico, os afazeres da mulher aumentou tudo. Ainda que tenha alguém para ajudar, é ela quem delega, coordena, se ocupa disso", explica Andréa.
"A demanda emocional que isso traz é maior, o que provoca desgaste psíquico e aí propriedades para o adoecimento. E entre eles, a gente tem os transtornos fóbicos ansiosos e os transtornos de humor, que são os mais comuns e recorrentes no universo feminino", ressalta.
FLEXIBILIZAÇÃO.
De acordo com Andréa, a mulher precisa de um tempo para atividades prazerosas, sem um horário fixo, rígido, como forma de driblar e até minimizar os impactos da ansiedade.
"Tentar conversar com outras pessoas, fazer exercícios respiratórios, leituras, conversar, desabafar. Um outro aspecto é quando se perceber cansada do ponto de vista emocional, procurar ajuda, seja de um amigo, parente ou profissional, mas não deixar que se estenda por muito tempo. São coisas que são simples quando tratadas logo de início", afirmou.
"Não dá para ter o mundo perfeito, a rotina ideal neste momento, e é importante ter uma tolerância à frustração, que sai do meu controle, e flexibilização para me adaptar a imprevistos deste cotidiano, que é provisório. São algumas ações simples que já minimizam", disse Andréa.
Segundo ela, uma outra questão é se atentar para as atividades que fazem e que podem delegar. "Quem pode me ajudar nessas tarefas? Não assumir para si toda a carga, a demanda de uma casa. Compartilhar então com as pessoas que convivem essa carga, essa jornada", finaliza a psicóloga joseense..