Tem sacy para todos os gostos. Aliás, são 77 tipos de sacys catalogados, com suas histórias encontradas por sacyólogos em 350 garrafas enterradas. São muito além do que o famoso Sacy Pererê retratado nas obras do escritor taubateano Monteiro Lobato.
Tem o Sacy, a Sacya e até o Sacyx, sem gênero, e todos com um objetivo: proteger a natureza. E essa rica e educativa história vem sendo retratada em dez episódios da websérie adaptada da exposição '#OcupaSacy', que pode ser acompanhada pelas redes sociais do Sesc Taubaté até o dia 28 de fevereiro.
Inicialmente, era para ser uma exposição presencial a partir de março deste ano na cidade mas, por conta da pandemia do novo coronavírus, acabou sendo adiada e, desde julho, ao menos pode ser vista de forma virtual. A produção da série foi feita em parceria com o Almanaque Urupê, de Taubaté.
"O Sacy não é uma pessoa única. Cada história contada é uma história diferente. É uma busca pela criatividade", diz Rudá Andrade, de São Paulo, curador da exposição e profundo estudioso sobre o tema. A primeira vez que a exposição aconteceu foi em 2018, no Sesc Interlagos, na Capital. Ele, inclusive, é neto de Oswald de Andrade e Patrícia Galvão, escritores modernistas de destaque na década de 1920.
Como diz no episódio 7 (no total são dez), "a diversidade está presente na natureza, e também se aplica aos Sacys, e eles tem uma grande capacidade de adaptação. Sacys, Sacyas, Sacyx, todos existem para proteger a natureza". Cada episódio conta com cerca de três minutos e pode ser acessado gratuitamente.
REFLORESTAMENTO.
Andrade propõe, na prática, um reflorestamento de sacys no imaginário infantil com a exposição #OcupaSacy. E defende uma ideia positiva desse personagem folclórico brasileiro, como defensor da natureza. "Quando eu era criança e ia com minha irmã, estudante de biologia, nos trabalhos de campo no meio do mato, ouvia risos, vultos, mas não tinha medo, pois sabia que estava protegido. Os sacys protegem a natureza", relata ele sobre o personagem folclórico.
Para o curador, a diversidade dos sacys é importante para a educação, para que as crianças e jovens conheçam as realidades. "Temos o sacy africano, mas tem o sacy Guarany também. Existe até o sacy oriental, o sacy indígena e o sacy verde", conta, lembrando que o nome sacy tem origem guarani. "Sa significa olho em guarani e Cy, mãe. E que mãe é essa? É a mãe natureza. Sacy gosta de liberdade", ressalta.
Em dez episódios, a série virtual narra a ocupação de sacys em Taubaté e apresenta, com participação de convidados, questões relacionadas à proposta da exposição, como o resgate das tradições populares.
HUMANISMO.
Para Patricia Grecco, Técnica de programação do Sesc Taubaté, o espaço "sempre objetiva em suas ações a concepção humanista, o reconhecimento e o fortalecimento de narrativas e experiências historicamente subtraídas, fomentando a visibilidade de pessoas, subjetividades, manifestações e expressões culturais das mais diversas".
"As ações acontecem sempre em caráter transversal alinhando sensibilização e formação, que buscam desconstruir preconceitos e estereótipos e proporcionam o espaço para o diálogo, o respeito, a convivência e a transformação social", disse.
"O sacy, figura emblemática por suas características ambíguas, cria confusão por onde passa muitas vezes de maneira extremamente divertida, e que é representado em inúmeros volumes da literatura nacional".
Pedro Rubim, do Almanaque Urupês, que participou da produção dos vídeos, ressalta que o Sacy de Monteiro Lobato, desde sua apresentação ao público em 1921, é muito sofisticado. "O sacy é filosófico, demonstrando para o guri da cidade grande como a vida da mata é diversa", disse Rubim, que aposta no sucesso dos vídeos. "Espero que se torne mais uma ferramenta para despertar a atenção de quem ocasionalmente não conheça o rico universo folclórico nacional", afirmou Rubim..