De um lado, aquele amigo brincalhão, seguro, que sabe se aproximar de uma garota, tem facilidade de se relacionar e está sempre nas festas e baladas. De outro, está aquele amigo mais retraído, que tem mais dificuldade de se aproximar das pessoas e que não tem confiança, se acha 'feio' e não consegue ter uma vida afetiva e sexual saudável. Ou, quando se relaciona, sofre com a submissão e se inferioriza neste relacionamento, que muitas vezes se torna tóxico.
Para especialistas em comportamento, tudo isso tem muito a ver com a autoestima das pessoas. Algo essencial para ter um bom relacionamento e até mesmo para um dia a dia mais tranquilo.
"A autoestima é formada por vários pilares. Tem a ver com o que a gente vê da nossa imagem, com aquilo que a cultura em que a gente está inserido fala sobre a nossa imagem e tudo o que foi reforçado nas histórias de nossos pais, amigos. Algumas pessoas são, geneticamente, mais felizes, com índices de dopaminas maiores. Essas pessoas tendem a ter uma autoestima mas equilibrada", explica a psicóloga e especialista em terapia sexual, Cris Borges, de São José dos Campos.
Para ela, a estima que a pessoa tem dela mesma é construída por ela. "Uma pessoa que tem boa autoestima, quando está numa relação em que a pessoa está submetendo ele, consegue se defender".
Ela lembra ainda que algumas relações, quando são muito tóxicas, podem diminuir a estima, que precisa ser trabalhada em psicoterapia. "Livro de autoajuda não adianta. Como ela construiu que tem baixa valia em relação ao mundo, tem que reconstruir a imagem dela, se encantar com a imagem dela e estar no mundo com uma boa autoestima e melhorar esse movimento de se achar desvalorizada", explica.
"O grande lance de qualquer relacionamento é ser horizontal. Só é saudável se você não sente que está sugando muito uma pessoa ou tendo que se dar demais para uma pessoa".
Para Simone Januário, também psicóloga em São José, à medida que a pessoa reconhece o padrão de relação que estabelece e como se coloca nas relações, pode melhorar a autoestima. "Relacionamentos tóxicos são detonadores da autoestima. Faz parte do dever de cada pessoa avaliar o bem-estar ou mal-estar causado por cada relacionamento. Isso não quer dizer não suportar uma discussão ou uma crítica. Tem relação com a constância doa relacionamentos profissionais, amorosos ou amizade", disse.
Segundo ela, procurar ajuda também é fundamental. "Em algumas situações há necessidade de ajuda profissional. Os psicólogos são os profissionais capacitados para identificar e auxiliar o indivíduo com problemas com a autoestima".
"Pessoas precisam se sentir queridas, valorizadas e pertencentes a um grupo (família, amigos, relacionamento amoroso). Diante disso, mesmo os 'bem resolvidos' podem se abalar diante de relacionamentos muito exigentes, críticos ou invasivos", afirma Simone, que ainda chama atenção para a internet.
"Cuidado com as redes sociais! Muitas pessoas se intoxicam emocionalmente através dos padrões de beleza e felicidade revelados nas fotos. Perdem sua essência e se desgastam"..