O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta segunda-feira que a compra de um microssatélite pelo Ministério da Defesa é uma questão de "soberania". A reportagem revelou que a pasta empenhou pouco mais de R$ 145,3 milhões para a compra do equipamento, que fará o monitoramento da devastação da floresta, função que já é realizada por outro órgão do governo federal, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Mourão disse que o microssatélite terá outras funções, mas não entrou em detalhes.
"Isso aí é aquela discussão, cada um quer puxar a brasa para sua sardinha, né. O que que eu vou dizer aí pra ti: nós temos que ter soberania na questão do domínio de satélites. Existem sistemas da mesma natureza desse satélite que a Defesa está providenciando. Eu já comentei aqui com vocês, é o satélite com radar, o SAR, que ele consegue ver através da cobertura de nuvens, que hoje nós não temos essa capacidade, apenas em 10% do nosso território que é aquele Deter Intenso. Então, a Defesa está providenciando isso daí. Existe satélite japonês, existe satélite de outras nações aí que você compra a imagem, mas você não tem soberania. Faz parte do programa espacial brasileiro, está dentro da agência espacial brasileira", disse Mourão, ao chegar no Palácio do Planalto.
Mourão disse que o novo satélite irá "completar a cobertura" do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam):
"Não (é só para desmatamento), ele (novo satélite) completa a cobertura do Censipam. Uma das antenas desse satélite será instalada aqui em Formosa e ela se estende até a nossa plataforma marítima".
O custo do novo microssatélite é 48 vezes maior do que a verba prevista no orçamento deste ano (R$ 3,03 milhões) para projetos de monitoramento da terra e de risco de incêndios. O conjunto abrange o Prodes e o Deter, que emitem boletins sobre o desmatamento da Amazônia, e o Programa Queimadas, responsável por detectar focos de calor em todo o país.
O GLOBO teve acesso à nota de empenho da verba, realizada no dia 30 de junho em favor do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), subordinado ao Ministério da Defesa. O microssatélite será custeado por recursos recuperados pela Operação Lava-Jato — do R$ 1,06 bilhão destinados a ações ambientais, R$ 530 milhões couberam à pasta.